Viajar para comer é um prazer para muitos, mas uma refeição fraca pode arruinar um dia inteiro de viagem. Restaurantes caça-turistas turistas continuam a fazer vítimas em destinos populares: preços acima da média, menus pensados para estrangeiros, pouca autenticidade culinária e muito barulho promocional. Um estudo da PhotoAiD, citado pelo jornal digital HuffPost, e as opiniões de vários chefs e especialistas ouvidos pelo mesmo, ajudam a identificar alguns sinais de alerta quando se chega a um restaurante: abordagem agressiva, localização demasiado turística e gigante, cartas intermináveis, sobremesas e bebidas genéricas, espetáculo exagerado e salas cheias só de visitantes, quase sem locais.
Segundo a PhotoAiD, três fatores costumam andar juntos: preços inflacionados, serviços montados para agradar turistas e ausência de identidade gastronómica local. O problema é que isto nem sempre salta à vista na montra. Por isso, a fonte anteriormente citada pediu ajuda a profissionais ligados à gastronomia e ao turismo para explicar como reconhecer o golpe antes de sentar à mesa.
Para Taryn Scher, da agência TK PR, um restaurante armadilha é “um sítio com muito burburinho mas sem sabores à altura”. Existem casas famosas que vivem do “tens de ir lá se visitas a cidade”, mesmo quando a comida fica no mediano.
A chef pasteleira Claudia Martinez e o chef Hector Santiago sublinham a intenção: quando o restaurante “faz aquilo que acha que o viajante quer”, em vez de cozinhar com identidade própria, o alarme toca. Martinez alerta ainda para espaços que não são locais, giram mesas a correr, cobram caro e servem comida abaixo do esperado.
Abordagens insistentes e decoração chamativa
Todos os especialistas, citados pela mesma fonte, colocaram este sinal no topo. Entradas muito brilhantes, empregados a chamar quem passa, menus abanados à frente do rosto e promessas de desconto imediato são clássicos. Em zonas turísticas da Turquia, relata o chef Okan Kizilbayir, é comum ver hosts de menu na mão a falar sem parar para puxar clientes.
Menus plastificados em várias línguas e fotografias dos pratos à porta? Jared Hucks evita. E se alguém distribui ementas em “cem línguas diferentes”, diz Santiago, mais vale mudar de direção.
Depois de horas a andar, o impulso é sentar no primeiro restaurante junto ao monumento. Mas rendas altas em áreas icónicas exigem volumes massivos e operações quase industriais. Martinez lembra que espaços com mais de 200 lugares, em centros cheios de visitantes, tendem a ser controlados por grupos corporativos e não por cozinhas locais com tempo para trabalhar produtos frescos. A pergunta que Taryn Scher sugere que se faça a si próprio é: quantos moradores desta cidade comem aqui com regularidade?
Cartas intermináveis e comida para todos
Uma ementa com dezenas de pratos de países diferentes é quase sempre mau sinal. “Demasiados itens”, avisa Kizilbayir. Já Santiago evita casas que “atiram tudo para o prato” para agradar a todos.
Quando aparecem hambúrgueres genéricos, frango panado estilo global ou versões americanizadas de pratos italianos, convém desconfiar.
Piero Premoli chama a atenção para listas cheias de entradas fritas e para camiões de congelados estacionados logo de manhã: costumam anunciar cozinha pré‑fabricada.
Sobremesas e bebidas de catálogo
Martinez identifica armadilhas pela mesa final. Cheesecake “clássico”, bolo de chocolate de lava perfeito, tarte de lima em fatias idênticas quase sempre são comprados já prontos. Se a carta mostra fotografias ou se todas as sobremesas aparecem com o mesmo chantili em estrela, hortelã e açúcar em pó, dificilmente há um pasteleiro a trabalhar de raíz.
O bar também pode denunciar muito, de acordo com a mesma fonte: listas de vinhos ao estilo de prateleira de supermercado, cocktails básicos, apenas marcas internacionais de cerveja. Quando não há ligação à oferta local, a probabilidade de produção centralizada aumenta.
Lugares montados para selfies, com luzes, adereços, pratos flamejantes só para vídeo, podem fazer soar o alarme entre chefs de viagem. Santiago critica os “shows à mesa” montados apenas para chamar atenção.
Martinez desconfia de espaços que se promovem como “o melhor” ou “incrível” sem dizer onde ganharam a distinção. “Qualquer um pode dizer que é o número um; convém confirmar”, lembra Taryn Scher.
Salas cheias de turistas, quase sem locais
Quando o restaurante vive de excursões em autocarro, a comida tende a ser produzida em massa e com atalhos. Okan Kizilbayir descreve o roteiro habitual: visita turística, fome instalada, paragem num espaço grande que serve grupos depressa. Música alta, decoração chamativa, velas com faíscas e staff em trajes caricatos aparecem muitas vezes nestes formatos.
Já Jared Hucks prefere salas onde se ouve sobretudo a língua local. Santiago segue a mesma regra: num restaurante de tapas em Espanha quer ouvir espanhol na mesa ao lado e até olha para as fotos dos clientes; se todos parecem turistas num espaço supostamente elegante, desconfia.
Como evitar cair na armadilha
Segundo os especialistas, citados pelo HuffPost, deve afastar-se ou dois quarteirões das atrações principais e observar quem está a comer. Procure menus curtos, ligados à estação e à região. Veja as sobremesas, o bar e a clientela antes de pedir mesa. Um minuto de atenção pode ser a diferença entre uma refeição memorável e um prato caro sem sabor numa viagem que só tem espaço para poucas refeições por dia.
















