Um novo truque associado ao tradicional “asado” argentino está a despertar curiosidade e controvérsia entre aficionados da grelha. A técnica, divulgada através de vídeos e publicações em redes sociais, consiste em introduzir um ingrediente pouco habitual no processo de combustão da lenha, com a promessa de intensificar o sabor da carne.
Sem interferir nos cortes ou temperos, a prática atua apenas no momento da queima da madeira. A simplicidade do procedimento contrasta com a complexidade das reações químicas envolvidas, levantando dúvidas quanto ao real impacto sobre o paladar.
Bicarbonato nas brasas: como funciona?
O método consiste em polvilhar uma pequena quantidade de bicarbonato de sódio, cerca de meia colher de chá, sobre a lenha já em brasa. A intenção é neutralizar compostos ácidos libertados durante a queima, produzindo um fumo menos agressiva e, teoricamente, mais suave para a carne.
As reações entre quem já experimentou são díspares. Enquanto alguns garantem que o sabor da carne fica mais “limpo”, outros referem alterações negativas ou simplesmente ausência de qualquer diferença notória. A falta de consenso levanta a questão sobre o verdadeiro alcance da técnica, tal como explica a Vogue.
O lugar do “asado” na cultura argentina
O “asado” não é apenas uma refeição, é um momento social, quase cerimonial. Preparado normalmente ao fim de semana, envolve familiares e amigos à volta do fogo. A figura do “asador”, encarregado da grelha, é central, e a manipulação do fogo exige conhecimento e respeito pelo ritual argentino.
Preferências no ponto da carne
Em geral, os cortes mais populares no “asado”, como a tira de “asado”, o bife de “chorizo” ou o “vacío”, são preparados ao ponto ou mal passados. Essa escolha preserva a suculência e permite realçar o sabor natural da carne, tornando também mais evidente qualquer alteração provocada pelo tipo de fumo.
Lenhas típicas e o papel do fumo
Na Argentina, é habitual o uso de lenhas duras, como quebracho ou espinilho, que proporcionam brasas estáveis e um fumo característico.
Este cuidado com a escolha da lenha é essencial para manter o perfil de fumo típico do churrasco argentino.
Alterar a composição desse fumo, mesmo que ligeiramente, pode interferir com o equilíbrio sensorial que tantos procuram preservar.
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Uma tradição resistente à mudança
Apesar da abertura a experiências, muitos praticantes do “asado” mantêm uma postura conservadora no que toca à técnica. A introdução de aditivos na brasa, ainda que inofensivos, é vista com reserva por quem acredita que o segredo está na simplicidade e na paciência.
Inovação ou moda passageira?
Como acontece com muitos fenómenos virais, há quem veja nesta prática apenas mais uma tendência que ganhará popularidade temporária antes de desaparecer.
A ausência de validação científica contribui para a perceção de que se trata de uma experiência com resultados imprevisíveis.
Não substitui boa técnica
Independentemente dos truques utilizados, a qualidade final do churrasco continua a depender de fatores como a escolha do corte, a distância da grelha em relação à brasa e o controlo do tempo de cozedura. Nenhuma substância substitui o domínio destes elementos, algo que o assador argentino mais tradicional conhece bem.
Outros métodos experimentais
Além do bicarbonato, já foram testadas outras formas de interferir com o fumo, como o uso de ramos de alecrim, cascas de citrinos ou madeira embebida em vinho. Estas abordagens procuram aromatizar subtilmente a carne através da alteração do perfil da combustão.
Embora muitas vezes resultem em aromas considerados interessantes, estas práticas nem sempre são bem recebidas por puristas da grelha, que defendem a simplicidade e a autenticidade do método tradicional.
Sem dados que comprovem a eficácia da técnica com bicarbonato, a sua utilização continua a ser motivo de debate.
Para uns, representa uma inovação discreta; para outros, um desvio desnecessário da tradição. Até que a ciência apresente conclusões, o veredito continuará a depender do gosto e da experiência de cada um.
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