A Ryanair anunciou uma redução significativa na sua operação na Bélgica, confirmando o corte de 2,1 milhões de lugares de passageiros, conforme avança o portal The Brussels Times. A medida, que entrará em vigor entre 2026 e 2027, surge como resposta direta ao aumento da carga fiscal sobre a aviação naquele país.
Esta decisão representa um duro golpe para a conectividade aérea na Europa Central, afetando tanto o turismo como as viagens de negócios. Segundo um comunicado da companhia aérea irlandesa, a redução da oferta é uma consequência inevitável das políticas governamentais que penalizam o setor com novas taxas.
A origem do conflito: impostos mais altos
No centro da discórdia está a decisão do governo belga e das autoridades locais de aumentarem os custos operacionais para as companhias aéreas. A Ryanair aponta especificamente o dedo ao agravamento da taxa de embarque federal e à introdução de novas taxas locais nos aeroportos onde opera.
De acordo com o comunicado da transportadora, estas medidas tornam insustentável a manutenção do volume atual de tráfego. O aeroporto de Charleroi, um dos principais “hubs” da companhia e muito utilizado pela comunidade portuguesa, será um dos mais afetados por esta reestruturação forçada.
Escreve a imprensa que a introdução destas taxas visa responder a preocupações ambientais e de ruído, mas a transportadora considera-as desproporcionais. A empresa argumenta que estes custos adicionais acabam por ser suportados pelos passageiros, contrariando o modelo de baixo custo que democratizou as viagens na Europa.
A resposta da Ryanair e o desvio de investimento
Michael O’Leary, o CEO da Ryanair, não poupou críticas às autoridades belgas, classificando as novas taxas como medidas contraproducentes para a economia. A estratégia da companhia passa agora por deslocar os seus aviões para países que adotem políticas fiscais mais favoráveis à aviação comercial.
Segundo a mesma fonte, mercados como a Suécia, a Itália e a Hungria estão a seguir o caminho oposto, abolindo ou reduzindo taxas para atrair turismo. É para estes destinos que a Ryanair pretende transferir a capacidade retirada da Bélgica, premiando os governos que incentivam o tráfego aéreo.
Esta “fuga” de ativos demonstra a mobilidade do modelo de negócio da low-cost, que consegue alterar a sua base operacional com rapidez. O aviso deixado pela empresa é claro: o investimento e o crescimento da frota serão alocados onde os custos permitirem manter as tarifas baixas.
Impacto nas ligações e no preço dos bilhetes
A redução de 2,1 milhões de lugares terá um efeito imediato na lei da oferta e da procura. Com menos voos disponíveis e os mesmos custos operacionais ou superiores, é expectável que o preço médio dos bilhetes para e de Bruxelas sofra um aumento considerável nos próximos anos.
Para os passageiros portugueses, esta notícia é particularmente relevante, dado o forte fluxo migratório e turístico entre Portugal e a Bélgica. A diminuição da frequência de voos pode dificultar as deslocações da diáspora e encarecer as visitas de lazer à capital europeia.
Indica a análise do setor que as rotas com menor rentabilidade serão as primeiras a ser eliminadas ou reduzidas. Isto poderá significar menos horários disponíveis e uma menor flexibilidade para quem viaja em trabalho ou para visitar familiares, obrigando a um planeamento mais antecipado das viagens.
Um cenário de mudança na aviação europeia
Este episódio na Bélgica reflete uma tendência mais vasta de tensão entre as metas ambientais dos governos europeus e a acessibilidade económica do transporte aéreo. Enquanto alguns países aumentam a tributação para desincentivar voos de curta duração, as companhias aéreas lutam para manter as margens de lucro.
A postura da Ryanair serve como um aviso à navegação para outros países que ponderem medidas semelhantes. A transportadora reafirma que não hesitará em cortar capacidade noutros mercados caso se verifiquem aumentos de taxas que considerem injustificados ou prejudiciais ao negócio.
Perto do final do comunicado, torna-se evidente que a era das viagens ultra-baratas pode estar ameaçada em certas regiões da Europa. A sustentabilidade do modelo low-cost depende de volumes elevados e custos baixos, uma equação que se torna difícil de equilibrar com o novo panorama fiscal.
Resta saber se esta medida de pressão levará a um recuo por parte das autoridades belgas ou se a redução de capacidade será permanente. Até lá, os consumidores devem preparar-se para um mercado com menos opções e preços potencialmente mais elevados nas rotas afetadas.
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