A alga asiática Rugulopterix okamurae continua a marcar presença massiva nas praias do sul da Península Ibérica pelo nono verão consecutivo. Espalhada por várias províncias costeiras desde 2016, após ter chegado do Pacífico através das águas de lastro dos navios, esta espécie tem vindo a transformar ecossistemas e a dificultar a pesca artesanal. Em algumas zonas, os areais e fundos marinhos já perderam até 95% da sua diversidade de algas, segundo a catedrática María Altamirano Jeschke, da Universidade de Málaga.
A exceção na costa andaluza
De acordo com o jornal El Correo de Andalucía, há um, no entanto, um ponto do litoral onde a espécie encontra dificuldades para se instalar: Huelva. A explicação está nas características do fundo marinho, composto essencialmente por areia, que não oferece condições favoráveis para a fixação da alga. Enquanto Cádiz, Málaga, Granada e Almería, assim como toda a costa do Algarve, registam grandes concentrações, esta província andaluza mantém-se praticamente livre da invasão.
Segundo a mesma fonte, a vantagem local pode não ser definitiva, já que a Rugulopterix okamurae é capaz de permanecer em suspensão na água sem necessidade de se ancorar ao solo. Caso consiga adaptar-se, poderá representar um risco também para esta faixa costeira.
Um exemplo próximo da fronteira portuguesa
Uma das praias desta província mais próximas de Portugal é a Playa de Islantilla, localizada a cerca de 30 minutos de carro de Castro Marim, no Algarve. Com 1,6 quilómetros de extensão e Bandeira Azul, a praia combina áreas naturais com pinhais e serviços para veraneantes. É uma das preferidas das famílias e está integrada numa zona onde também se encontram as praias de Hoyo e Urbasur.
Prejuízos para a pesca
Note que a expansão da alga tem provocado prejuízos significativos para a pesca, sobretudo no arrasto e nas artes tradicionais. Refere a mesma fonte que as redes ficam presas, obrigando os pescadores a retirar grandes volumes de algas antes de prosseguir a atividade, o que aumenta custos e tempo de trabalho.
Planos de combate e reutilização
A Junta de Andaluzia publicou recentemente um manual de intervenção para orientar a remoção e o destino dos exemplares recolhidos.
Conforme o El Correo de Andalucía, em locais, como Melilla, estas algas são aproveitadas para gerar energia, transformando um problema ambiental num recurso de economia circular. Para tal, é necessário “inativar” a biomassa antes da sua reutilização, evitando a sua dispersão.
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