Depois dos 50 anos, a forma como se inicia o dia pode influenciar de forma significativa a saúde. Alguns alimentos habituais ao pequeno-almoço estão associados a riscos metabólicos e cardiovasculares, enquanto outros contribuem para manter a energia e o bem-estar. O consumo excessivo de opções ricas em açúcar, logo pela manhã, tem sido apontado como fator de aumento do risco de diabetes, doenças do coração e envelhecimento precoce.
O impacto do açúcar logo pela manhã
Para muitos, o pequeno-almoço é visto como a refeição mais importante do dia. No entanto, escolhas erradas logo de manhã podem ter consequências sérias, sobretudo em idades mais avançadas, quando o corpo reage de forma diferente aos hidratos de carbono simples.
Os alimentos como cereais industrializados, bolachas, bolos ou sumos ditos “naturais” podem provocar picos de glicose. Esta subida rápida de açúcar no sangue é seguida de quebras energéticas e, a longo prazo, aumenta o risco de doenças metabólicas.
O cardiologista preventivo Stephen Devries, diretor executivo do Gaples Institute, uma organização dedicada à educação em saúde cardiovascular e medicina preventiva, com foco especial na nutrição, sublinhou em entrevista à American Medical Association (AMA) que “os alimentos ricos em amido podem disparar ainda mais o açúcar no sangue do que os doces”. Para o especialista norte-americano, opções como aveia e fruta são preferíveis porque libertam energia de forma gradual.
O envelhecimento e a glicose
A sensibilidade à insulina tende a diminuir com a idade. Isso significa que, após os 50 anos, o organismo tem mais dificuldade em processar açúcares simples. O excesso traduz-se em acumulação de gordura abdominal, maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e até maior risco de enfarte ou AVC.
O cientista da longevidade Eric Verdin, presidente do Buck Institute for Research on Aging, alerta que um pequeno-almoço à base de cereais e sumo de laranja é “basicamente um bolo de açúcar, açúcar, açúcar”. Segundo o mesmo, este hábito acelera o envelhecimento celular e promove inflamação. Verdin defende refeições ricas em fibra, proteína e gorduras saudáveis, como ovos, abacate, salmão e pão integral.
Alternativas mais saudáveis
Os mesmos especialistas sublinham que não se trata de eliminar totalmente os doces da alimentação, mas sim de os retirar do pequeno-almoço diário, principalmente após os 50 anos. Em vez disso, opções como pão integral, fruta fresca, ovos e iogurte natural ajudam a manter os níveis de energia estáveis.
Para além da proteína, também as gorduras saudáveis são importantes. Um punhado de frutos secos ou uma fatia de abacate fornecem nutrientes essenciais e contribuem para a proteção cardiovascular.
A endocrinologista Catarina Saraiva, do Hospital Lusíadas Lisboa, lembra que até os diabéticos podem comer doces com moderação, mas reforça a importância de seguir um plano equilibrado. Recomenda ainda a dieta mediterrânica, rica em vegetais, fruta e azeite, como modelo alimentar a privilegiar.
O primeiro gesto do dia é importante
Além das escolhas alimentares, a hidratação é um passo muitas vezes negligenciado. Beber um copo de água ao acordar ajuda o organismo a despertar e melhora o funcionamento do sistema digestivo.
O pequeno-almoço pode ser um aliado da saúde ou um risco silencioso, dependendo das escolhas feitas. Substituir os produtos açucarados por alimentos mais naturais e nutritivos pode fazer a diferença no bem-estar diário e na prevenção de doenças.
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