Viajar de avião continua a ser, para muitos, um misto de fascínio e receio. O simples ato de descolar, ganhar altitude e enfrentar o céu desperta emoções distintas, sobretudo em passageiros menos habituados a voar. Cada fase do percurso aéreo traz sensações próprias, algumas das quais podem parecer estranhas ou até inquietantes para quem não conhece os procedimentos técnicos envolvidos.
“Afundamento” do avião
Uma dessas sensações ocorre logo após a descolagem e é descrita por muitos como um “afundamento” repentino, que deixa a impressão de que o avião está a perder altura. Para passageiros mais nervosos, este momento pode ser particularmente desconfortável, ainda que se trate de uma situação perfeitamente normal.
A explicação, citada pelo jornal digital espanhol HuffPost, foi dada por Steve, comandante de voo da American Airlines, com experiência em várias companhias aéreas, que recorreu à rede social TikTok para responder a dúvidas frequentes sobre a aviação. Segundo o piloto, este fenómeno está diretamente ligado ao chamado “procedimento de redução de ruído”.
Uma exigência das zonas residenciais
O comandante explicou que, em áreas densamente povoadas, muitas vezes habitadas por pessoas que não querem conviver com o barulho constante dos aviões, é exigida a aplicação de técnicas para mitigar o ruído. Assim, após a descolagem em ângulo acentuado, os pilotos reduzem a potência dos motores ao sobrevoar essas regiões.
Este ajuste, embora seguro, é percecionado pelos passageiros como uma quebra repentina de força. Na prática, não há qualquer risco, mas o corpo sente a diferença e o desconforto instala-se em quem não está habituado.
Do motor ao assento do passageiro
Steve detalhou ainda o que acontece no cockpit durante esse momento: “Quando chego ao ponto do ascenso em que começo a recolher os flaps, a potência passa de potência de descolagem para potência de subida.
É uma configuração reduzida, por isso primeiro ouve-se, depois sente-se um pouco no assento e, ao mesmo tempo, o nariz começa a levantar-se enquanto retraio os flaps, o que provoca um ligeiro balanço do avião. É essa sensação incómoda.”, refere, citado pela mesma fonte.
Transição de potências
Ou seja, o “afundamento” não é mais do que o resultado da transição entre diferentes fases de potência e configuração do avião, necessária para equilibrar eficiência, segurança e impacto ambiental.
Uma sensação estranha, mas inofensiva
Para os pilotos, trata-se de um procedimento rotineiro, mas para os passageiros menos habituados, o balanço aliado à redução de potência pode parecer alarmante. No entanto, como reforça Steve, a operação é totalmente controlada e faz parte da rotina de qualquer descolagem em zonas urbanas.
Dessa forma, a próxima vez que surgir essa sensação de perda de força logo após a descolagem, a explicação é simple, segundo o HuffPost: o avião continua seguro, apenas está a respeitar os céus e quem vive no solo.
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