Poucas situações são tão stressantes como receber uma carta de despedimento. Depois de anos a trabalhar para uma empresa, a notícia pode chegar de forma abrupta e deixar qualquer pessoa sem saber como reagir.
Quando o despedimento acontece
Há várias razões que podem levar uma entidade patronal a rescindir contrato: cortes no orçamento, reorganizações internas ou, em alguns casos, alegadas más condutas. Independentemente do motivo, o impacto é sempre duro para o trabalhador.
Nesses momentos, a reação natural pode ser de revolta ou frustração. Muitas pessoas optam por cortar laços de imediato, apagando mensagens e saindo de grupos de trabalho. Contudo, e de acordo com o jornal espanhol AS, especialistas garantem que esta atitude pode ser prejudicial.
Foi precisamente esse alerta que o advogado laboralista Juanma Lorente partilhou através da sua conta no TikTok, onde explicou quais os cuidados essenciais a ter no momento de um despedimento.
O erro mais comum
Segundo Lorente, “nunca apaguem conversas com o vosso chefe”. O advogado lembra que é frequente os trabalhadores, tomados pela zanga, apagarem mensagens ou abandonarem grupos de WhatsApp ligados à empresa.
Para o especialista, esta reação emocional pode comprometer a defesa dos direitos do trabalhador em tribunal. “Nas conversas com os vossos chefes e nos grupos com os colegas encontram-se muitas das provas que podem ajudar-vos a ganhar um processo”, explicou.
Essas mensagens podem revelar, por exemplo, a verdadeira razão do despedimento, a realização de horas extraordinárias não pagas ou outras irregularidades nas condições de trabalho.
Provas que podem fazer a diferença
Ao manter estas conversas guardadas, o trabalhador tem uma base sólida de elementos que podem ser apresentados em tribunal. “Se não apagas essas conversas, partimos de um ponto muito melhor”, sublinha o advogado.
Na prática, um simples histórico de mensagens pode ser suficiente para demonstrar incoerências ou práticas abusivas por parte da empresa. É por isso que a recomendação é clara: nunca se deve eliminar este tipo de informação.
Além do WhatsApp, a mesma regra aplica-se a outras aplicações de mensagens ou correio eletrónico. Todas as comunicações podem ter relevância num processo judicial.
A importância de pensar a longo prazo
Para Lorente, agir de cabeça quente é o maior erro que um trabalhador pode cometer ao ser despedido. “Quando as coisas se complicarem, vão agradecer ter essas conversas”, frisou.
O advogado recorda que, em muitas situações, é a própria prova documental que permite ao trabalhador contestar o despedimento ou reclamar indemnizações mais justas.
Sem esses registos, as hipóteses de sucesso em tribunal diminuem significativamente, já que fica apenas a palavra de uma parte contra a da outra.
Defender os direitos laborais
Segundo o AS, a mensagem deixada pelo especialista é clara: guardar provas pode ser determinante para fazer valer os direitos do trabalhador. No caso de despedimentos injustificados, pode mesmo significar a diferença entre perder ou ganhar uma ação judicial.
Cada vez mais tribunais aceitam este tipo de documentos como provas válidas, desde que sejam apresentados de forma legítima e sem manipulações.
No final, manter as conversas e mensagens relacionadas com o trabalho não custa nada e pode transformar-se na arma mais eficaz na hora de enfrentar um processo laboral.
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