Escolher um vinho no supermercado pode transformar-se numa autêntica lotaria. A oferta é vasta, os rótulos parecem falar línguas diferentes e, para muitos, o risco de levar para casa uma garrafa dececionante é real. No entanto, há estratégias que permitem aumentar as hipóteses de acerto, mesmo para quem não se considera conhecedor. De acordo com a sommelière Carol Souzah, bastam alguns cuidados para evitar más surpresas e encontrar vinhos de qualidade sem gastar fortunas.
Olhar para onde o vinho está guardado
De acordo com o site especializado em gastronomia, Receitas, o primeiro passo, segundo a especialista, é observar com atenção o local onde as garrafas estão guardadas. Um vinho exposto ao calor, à luz direta ou junto de equipamentos de refrigeração corre o risco de perder aroma, sabor e estrutura. Mesmo uma garrafa de origem respeitável pode sair prejudicada se não for devidamente armazenada.
“Com algumas dicas simples, é possível fugir das ciladas e encontrar rótulos bons e honestos”, afirmou Carol Souzah. Entre esses cuidados está garantir que o vinho se encontra em prateleiras mais frescas, afastadas do sol e de fontes de calor.
Superfícies junto às portas automáticas, entradas com incidência de luz ou zonas próximas de fornos e máquinas de café não são bons sinais. Pequenos detalhes como estes fazem diferença na qualidade final do que se leva para casa.
Ler o rótulo com atenção
Outra etapa essencial é a leitura minuciosa do rótulo. Vinhos que indicam claramente a casta, a safra, a região de origem e a vinícola transmitem maior transparência e cuidado no processo de produção. Quando essa informação é vaga, incompleta ou confusa, é motivo para ponderar melhor a escolha.
A sommelière sublinha que não é necessário conhecer todas as regiões ou castas para tirar proveito desta dica. Basta perceber se o produtor valoriza a informação ao consumidor e não esconde a identidade do vinho. Um rótulo claro é muitas vezes o reflexo de um produto bem elaborado.
Preço não é tudo
O valor da garrafa, embora importante, não deve ser o único fator a influenciar a compra. Existem vinhos equilibrados e agradáveis por menos de 20 euros, desde que sejam escolhidos com critério. Reconhecer algumas marcas e regiões pode ajudar a encontrar verdadeiras oportunidades.
Por outro lado, preços demasiado baixos, como valores inferiores a cinco euros, levantam questões sobre a qualidade. Nestes casos, é fundamental cruzar outros elementos, como a origem e as castas, para perceber se se trata de uma boa oferta ou apenas de um vinho sem expressão.
Clima, ocasião e gosto pessoal
A escolha de um vinho deve também ter em conta o contexto em que será consumido. Em dias quentes, vinhos brancos, rosés e tintos mais leves, como Gamay, Merlot ou Tempranillo jovens, tendem a oferecer frescura e leveza. No inverno, ou quando a refeição inclui pratos mais robustos, é aconselhável optar por tintos encorpados como Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat ou Syrah.
Além do clima, o gosto pessoal desempenha um papel central. Conhecer minimamente as próprias preferências, como vinhos mais frutados, secos ou com maior acidez, o que facilita a escolha e evita compras por impulso que resultem em desilusão.
Castas que raramente falham
Para quem está a iniciar-se no mundo do vinho, há castas que, segundo publicações especializadas, tendem a agradar a uma maioria de paladares. Entre os tintos, Merlot, Carménère, Malbec e Pinot Noir são exemplos seguros. Para brancos, destacam-se Torrontés, Chardonnay sem estágio em madeira e Sauvignon Blanc. No caso dos rosés, as versões secas e de cor mais clara são frequentemente bem recebidas.
Estes perfis oferecem vinhos com acidez equilibrada e sabores acessíveis, que não exigem grande experiência para serem apreciados. São também escolhas que combinam facilmente com diferentes pratos, tornando-se versáteis em diversas ocasiões.
Aventurar-se pelo Novo Mundo
A sommelière defende que vale a pena explorar vinhos do chamado Novo Mundo, designação dada às regiões produtoras fora da Europa, como Chile, Argentina, Brasil, África do Sul e Estados Unidos. Estes países têm ganho reconhecimento por estilos mais frutados, acessíveis e menos restritos às regras tradicionais.
A diversidade destas origens traduz-se em vinhos com perfis distintos, muitas vezes a preços competitivos. Para consumidores curiosos, é uma oportunidade de ampliar horizontes e descobrir sabores fora do circuito europeu habitual.
O vinho certo para cada contexto
Tal como refere o Receitas, a definição do objetivo da compra ajuda a restringir escolhas. Um espumante Brut português é versátil e funciona tanto para brindar sozinho como para oferecer. Já um tinto encorpado pede uma refeição igualmente estruturada, com pratos que sustentem o seu perfil intenso.
Ao pensar no momento em que o vinho será servido, reduz-se o risco de optar por um rótulo que não combine com a ocasião. Mais do que seguir tendências, trata-se de harmonizar o vinho com a experiência que se quer proporcionar.
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