No coração de Trás-os-Montes existe uma aldeia que parece desafiar a lógica. Vista ao longe, dá a impressão de emergir da água, como se tivesse nascido da albufeira que a rodeia. Para além da paisagem singular, guarda também histórias seculares, tradições de pedra e a marca de um património que sobreviveu ao isolamento e ao tempo.
Estamos a falar de Vilarinho de Negrões, em Montalegre, uma aldeia única que parece nascer das águas da Albufeira do Alto Rabagão e que hoje se tornou num dos destinos mais fotogénicos da região.
Entre ruas estreitas, casas de granito e a calma das margens, o lugar conserva a essência de uma comunidade que viveu da agricultura e do engenho humano. Ao mesmo tempo, o enquadramento natural, entre montanhas e reflexos de água, tornou-a num destino que fascina quem por lá passa.
Entre a água e a memória
De acordo com o município de Montalegre, a aldeia ergue-se junto à Albufeira do Alto Rabagão, barragem concluída em 1964. É essa localização que lhe dá a aparência única de “flutuar” sobre o espelho de água, criando um dos panoramas mais fotografados da região.
Por perto, encontram-se os tradicionais canastros de granito, usados para guardar cereais, e vestígios arqueológicos que comprovam a presença humana desde tempos antigos. Os castros de Negrões, Vilarinho e Lamachã são alguns exemplos dessa herança.
Histórias de quem lá viveu
Escreve o Ekonomista que um dos nomes associados à aldeia é o padre Domingos Pereira, conhecido como padre guerrilheiro. Participou na Monarquia do Norte, envolveu-se em combates em Cabeceiras, Mirandela e Vila Real, e deixou a sua marca na história política da região.
Mas é no presente que a aldeia revela outro tipo de vida: mergulhões de crista e outras aves aquáticas aproveitam os invernos mais amenos para ocupar a albufeira, tornando o local num ponto de interesse para quem gosta de observar a natureza.
O que não pode perder
No centro da aldeia, a Igreja de São Bartolomeu, de estilo gótico, é um dos marcos históricos a visitar. Nos arredores, a Barragem do Alto Rabagão oferece vistas amplas sobre a serra, enquanto a Cascata da Fírveda, escondida entre colinas, convida a uma pausa tranquila.
Seguindo trilhos junto a riachos, surgem ainda antigos moinhos de água, lembrança do engenho humano em tempos de trabalho agrícola.
Nos arredores
Montalegre é passagem obrigatória para quem visita esta aldeia. O castelo, iniciado em 1270, serviu de defesa fronteiriça contra Castela e hoje é Monumento Nacional. A Ponte Velha, também chamada romana, é outro testemunho da longa história da vila.
Mais adiante, já em Vila Real, Ribeira de Pena destaca-se pelo património religioso e pela produção de vinho verde, milho e linho.
Sabores da região
Segundo o Ekonomista, a gastronomia local é parte da experiência. Próximo da barragem, o Restaurante Albufeira é conhecido pelo cozido à portuguesa e pelas sobremesas caseiras. Em Montalegre, o Restaurante Dias é famoso pela carne Barrosã e pelo polvo à lagareiro, pratos acompanhados por vinho verde da região.
Um destino diferente
Entre tradição e paisagem, a aldeia transmontana que “flutua” sobre a água é uma descoberta imperdível. Um lugar onde a natureza e a história se encontram e onde cada pedra conta um pedaço de vida de séculos passados.
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