Chegar a casa e encontrar um pequeno risco branco de giz na porta ou no portão pode parecer algo sem importância. Muitas pessoas assumem que é apenas sujidade, pó trazido pelo vento ou o resultado de uma brincadeira de crianças. No entanto, em alguns casos, estes sinais são intencionais e fazem parte de um código discreto usado para identificar residências.
De acordo com a Polícia de Segurança Pública (PSP), este tipo de marcação já foi detetado em várias zonas urbanas e suburbanas em Portugal, sendo utilizado por assaltantes para mapear bairros e escolher potenciais alvos.
A prática não é nova e tem sido reportada em diversos países, como Espanha e Reino Unido, segundo dados da Guardia Civil e da polícia britânica.
Um código silencioso com décadas de uso
Estes sinais, geralmente feitos com giz, tinta discreta ou pequenos objetos, funcionam como uma linguagem codificada entre criminosos. Cada símbolo pode transmitir informações diferentes, como indicar que uma casa está vazia durante determinadas horas, que é habitada por idosos ou que já foi alvo e “vale a pena voltar”.
Segundo as autoridades, o giz é especialmente usado porque é barato, rápido de aplicar e fácil de remover. Além disso, desaparece com a chuva, o que dificulta a prova e reduz a probabilidade de levantar suspeitas.
Casos registados e padrões comuns
Nos últimos anos, tanto a PSP como a GNR alertaram para ocorrências deste género, nomeadamente em zonas residenciais mais isoladas. Em alguns casos relatados à comunicação social, como noticiado pelo Jornal de Notícias, moradores encontraram símbolos aparentemente sem significado, mas sempre no mesmo local da entrada, pouco tempo antes de tentativas de assalto.
Estes sinais tendem a surgir em portas, portões, caixotes de correio ou paredes junto à entrada. Podem ser riscos simples, pontos ou cruzes pequenas, mas têm um padrão reconhecível para quem os utiliza.
O que fazer ao encontrar um destes sinais
As autoridades recomendam fotografar o símbolo imediatamente para registo, removê-lo sem demora e avisar os vizinhos para verificarem as suas entradas. Segundo a PSP, deve também ser apresentada queixa, mesmo que pareça um detalhe insignificante, para que possa ser incluído no mapa de ocorrências da zona.
Embora nem todos os sinais sejam perigosos, ignorá-los pode significar deixar passar um aviso importante. Há situações em que crianças ou trabalhadores de obras podem deixar marcas acidentalmente, mas a polícia aconselha a não assumir que é apenas coincidência.
Como reduzir o risco de marcações
Entre as medidas preventivas sugeridas pela GNR estão a instalação de iluminação exterior com sensores de movimento, câmaras de vigilância visíveis e a adoção de rotinas menos previsíveis para dificultar a monitorização por parte de terceiros.
Esteja atento e comunique
Um simples traço de giz pode ser apenas pó, ou o primeiro passo de alguém que estuda a sua casa. Manter-se atento e comunicar com a comunidade e as autoridades continua a ser a melhor defesa contra este tipo de método discreto.
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