À primeira vista, o papel de alumínio parece inofensivo, usado sobretudo para embrulhar alimentos na cozinha. No entanto, este material tem vindo a ser utilizado de forma criminosa em Portugal e noutros países. Ladrões descobriram que pode ser suficiente para neutralizar os sistemas de segurança das lojas, permitindo furtos rápidos e difíceis de detetar. O método, simples e barato, preocupa cada vez mais comerciantes e autoridades.
De acordo com especialistas em segurança citados pelo site de tecnologia Leak, a técnica explora um efeito conhecido como “gaiola de Faraday”, no qual o alumínio bloqueia sinais magnéticos ou de radiofrequência. Na prática, ao envolver um produto ou forrar sacos com este material, o sinal emitido pelas etiquetas de segurança deixa de chegar às antenas na saída das lojas. O resultado é a passagem sem disparo de alarmes.
Como funciona e porque resulta
Grande parte do comércio utiliza etiquetas magnéticas ou RFID para detetar furtos. Estas emitem sinais que são lidos à saída. O alumínio, quando usado como barreira, impede a transmissão desse sinal. Explica a mesma fonte que este truque é particularmente eficaz em sistemas mais antigos, o que torna algumas lojas mais vulneráveis do que outras.
Além de ser barato e acessível, o alumínio pode ser usado de forma discreta. Sacos revestidos parecem comuns, dificultando a perceção imediata por parte de funcionários ou vigilantes.
Outras técnicas associadas
O recurso ao alumínio não se limita a furtos em lojas. Em alguns casos, tem sido utilizado em esquemas de “impressioning”, onde pedaços maleáveis servem para criar moldes de chaves. Há também relatos de pequenas tiras colocadas em fechaduras para perceber se uma porta foi usada recentemente, sinalizando se uma casa está ocupada ou não.
Embora diferentes, todas estas práticas partilham a mesma lógica: o alumínio como ferramenta de disfarce e manipulação.
Impacto nas lojas portuguesas
Segundo comerciantes citados pelo Leak, os furtos com recurso a este truque têm aumentado. Para além do prejuízo financeiro direto, há custos acrescidos em sistemas de vigilância, câmaras e substituição de alarmes. Pequenos furtos repetidos podem traduzir-se em milhares de euros de perdas anuais.
Como reforçar a proteção
A atualização tecnológica é apontada como a principal defesa. Sistemas modernos de RFID são menos vulneráveis ao bloqueio do alumínio. A vigilância humana continua, no entanto, a ser essencial. Funcionários atentos a sacos suspeitos e equipas treinadas para identificar sinais de alerta podem fazer a diferença.
Outras medidas passam pela instalação de sensores adicionais, capazes de medir densidade ou peso, complementando os alarmes tradicionais.
O que os consumidores devem saber
Comprar produtos furtados não é uma “pechincha” inocente, mas um crime que alimenta este tipo de prática. Denunciar comportamentos suspeitos é uma forma de proteger o comércio local e todos os consumidores.
O papel de alumínio, aparentemente banal, transformou-se num dos exemplos mais claros de como técnicas simples conseguem enganar sistemas sofisticados. Para comerciantes e clientes, a resposta passa por informação, prevenção e atualização de tecnologias, antes que um pedaço de alumínio se torne sinónimo de grandes prejuízos.
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