Passado de geração em geração, o hábito de colocar o ovo num copo com água é um gesto comum em muitas cozinhas, como forma de verificar se o alimento ainda está bom. A sabedoria popular diz que, se o ovo afundar, pode ser consumido, mas se flutuar, deve ser deitado fora. A ciência confirma parte desta ideia, embora o teste não sirva para tudo.
Paula Teixeira, professora e investigadora na área da segurança alimentar na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, garantiu ao portal Viral que “um ovo que flutua não deve ser consumido”.
A especialista explica que, à medida que o ovo envelhece, forma-se uma bolsa de ar no seu interior, o que o faz subir à superfície. Esse comportamento indica que já não é fresco e que o risco de contaminação aumenta.
Se o ovo flutua, o risco cresce
Segundo a investigadora, “quanto mais velho for o ovo, se estiver contaminado, maior será a probabilidade de os níveis de contaminação aumentarem ao longo do tempo”. Sublinha ainda que um ovo que flutua pode ter perdido qualidade e segurança, mesmo que não apresente sinais visíveis de deterioração.
Contudo, se acontecer o oposto, ou seja, se o ovo afundar, não significa necessariamente que está livre de microrganismos patogénicos. O chamado “teste do ovo” pode ajudar a avaliar a frescura, mas não é um método de diagnóstico fiável para garantir segurança alimentar. “O ovo pode afundar e, ainda assim, estar contaminado”, explica a mesma fonte.
Teste mostra frescura, não segurança
A professora Paula Teixeira recorda experiências laboratoriais realizadas na Universidade Católica, em que ovos contaminados com níveis elevados de salmonella continuaram a afundar na água. “O ovo ia ao fundo na mesma, porque era um ovo ainda relativamente fresco”, descreve.
Isto significa que o teste da flutuação serve apenas como um indicador do tempo de conservação. Se o ovo sobe à superfície, é sinal de envelhecimento e deve ser rejeitado; se afunda, pode ser fresco, mas não há garantias de que esteja isento de contaminação.
Cuidados a ter antes e depois da compra
Além de verificar a reação do ovo na água, há outras medidas essenciais para garantir segurança. Segundo a mesma fonte, é importante observar se a casca está limpa e intacta no momento da compra. “Quando o ovo já está partido ou rachado, a probabilidade de ter algum contaminante de fora a passar para dentro também é maior”, refere.
A especialista aconselha igualmente a conservar os ovos no frigorífico, tanto para prevenir o crescimento de microrganismos como para preservar a qualidade. “Um ovo que fica fora do frigorífico vai ficar com a clara muito mais líquida e com uma gema que se desfaz”, acrescenta.
Consumo deve ser rápido e prudente
Outra recomendação do portal Viral passa por não guardar ovos até ao fim do prazo de validade. “Devem ser consumidos o mais frescos possível”, explica o site. Já os ovos caseiros devem ser usados apenas em receitas que vão a altas temperaturas, de modo a eliminar eventuais agentes patogénicos.
Em suma, o teste do copo de água pode indicar se o ovo envelheceu, mas não substitui as boas práticas de segurança alimentar. Se o ovo flutuar, o melhor é não o comer.
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