Num país onde a história, a arte e a gastronomia convivem com paisagens que vão das praias ao cimo dos Alpes, o mês de agosto traz uma mudança que surpreende muitos visitantes. Em Itália, um destino muito visitado, uma tradição com raízes na Roma Antiga provoca o fecho de lojas, cafés e restaurantes, deixando ruas mais silenciosas e cidades menos movimentadas do que o habitual, segundo o jornal Daily Express.
Itália continua a ser um dos destinos mais procurados na Europa, especialmente durante o verão. Cidades como Roma, Veneza e Florença recebem milhões de visitantes, atraídos por monumentos icónicos, museus, praças e a famosa cozinha italiana.
No entanto, há um período do ano em que até os locais mais turísticos parecem perder o ritmo. É durante o Ferragosto, celebrado oficialmente a 15 de agosto, que muitas atividades entram em pausa. A tradição, enraizada há séculos, marca um momento de descanso coletivo para milhões de italianos.
A experiência de um residente estrangeiro
Rob Murgatroyd, norte-americano que se mudou para Florença em 2021, partilhou nas redes sociais a sua experiência ao viver esta tradição. Segundo o seu testemunho, pequenos negócios encerram, as ruas ficam mais calmas e até o café que frequentava diariamente fechou por seis semanas, algo que muitos turistas não esperam encontrar num destino tão procurado. “Parece que, à medida que nos aproximamos desta altura, as pessoas simplesmente desaparecem”, contou, citado pela mesma fonte.
Para Rob, que passou a maior parte da vida profissional nos Estados Unidos como quiroprático, este hábito foi uma revelação. “Passei a vida a dominar a arte de trabalhar muito, mas viver com a alma em chamas era-me completamente estranho”, afirmou.
Uma pausa com significado
O residente destacou que o Ferragosto lhe ensinou que “a vida não é apenas sobre o que se produz, mas também sobre aquilo por que se pausa”. E acrescentou: “Os italianos fazem pausas para a alegria, para a família, para um momento ao sol. Mostraram-me que o jogo não é maximizar resultados, mas sim momentos.”
Este costume, que para alguns turistas pode ser um contratempo, representa para os italianos um dos períodos mais importantes do calendário, de acordo com a mesma fonte. Restaurantes, lojas e até alguns serviços encerram, e o movimento desloca-se para as praias, lagos e zonas de montanha.
Raízes na Roma Antiga
O Ferragosto foi instituído pelo imperador Augusto no ano 18 a.C. como um dia de descanso para os trabalhadores do Império Romano, após meses de trabalho agrícola intenso, conforme refere a mesma fonte.
Inicialmente celebrado a 1 de agosto, acabou por ser transferido pela Igreja Católica para 15 de agosto, coincidindo com a festa da Assunção de Maria. A data manteve o significado original de pausa, mas passou a estar associada também a festividades religiosas.
Historicamente, o Ferragosto deu a muitas famílias a oportunidade de visitar pela primeira vez grandes cidades como Veneza, Roma, Florença ou Nápoles. Para outras, foi a ocasião de conhecer a costa ou as montanhas, quebrando a rotina e fortalecendo os laços familiares.
Um país que abranda
Enquanto as praias e zonas costeiras ficam repletas, muitas cidades, mesmo as mais visitadas, registam um ambiente mais calmo, com menos filas e mais espaço nas ruas. Para quem procura tranquilidade, pode ser a altura ideal para explorar alguns destinos urbanos, segundo aponta o jornal Daily Express.
Para os turistas desprevenidos, no entanto, esta tradição pode ser surpreendente. Encontrar restaurantes favoritos fechados ou lojas encerradas é uma experiência comum nesta fase do verão italiano, transformando a forma como se vive este destino durante o Ferragosto.
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