A natureza continua a revelar criaturas invulgares que despertam a curiosidade da ciência, não só pela sua aparência como também pelas suas capacidades fora do comum. Entre os exemplos mais surpreendentes encontra-se um pequeno animal, conhecido pelas suas características raras e pelo interesse crescente da comunidade científica.
Um mamífero africano fora do comum
O animal chama-se rato-toupeira-nu e é encontrado em regiões do leste africano, como o Quénia, a Etiópia e a Somália. A sua morfologia é marcada por um corpo alongado, pele rugosa e quase sem pelos, com dentes salientes que utiliza para escavar galerias no subsolo.
Estas características resultam de uma adaptação ao seu habitat subterrâneo. Vive em túneis complexos, onde se organiza em colónias sociais. Segundo a Meteored, este comportamento social é mais frequente em insetos como formigas, mas neste caso é observado num mamífero. Para manter a temperatura corporal, os indivíduos agrupam-se, uma vez que não conseguem regular o calor de forma autónoma, ao contrário da maioria dos mamíferos. Esta adaptação coletiva permite sobreviver num ambiente exigente.
Capacidades biológicas
Esta espécie apresenta várias características biológicas pouco comuns. Entre elas destaca-se a sua resistência à dor causada por determinados estímulos, a capacidade de viver em ambientes com baixos níveis de oxigénio e uma longevidade notável, podendo alcançar 40 anos.
Estes traços tornam este animal objeto de estudo em várias áreas da medicina e da biologia. A longevidade, aliada a uma saúde aparentemente robusta ao longo da vida, atrai o interesse de especialistas em envelhecimento, de acordo com a fonte acima citada.
Outra particularidade é a sua resistência ao desenvolvimento de cancro. Conforme refere a mesma fonte, os mecanismos celulares deste mamífero previnem o crescimento de tumores, o que pode trazer pistas importantes para a investigação médica.
A neotenia como traço distintivo
Uma das características mais visíveis deste animal é a sua pele fina e quase sem pelos, que se mantém ao longo da vida. Esta particularidade está ligada à neotenia, fenómeno em que certas características juvenis persistem mesmo após atingir a maturidade sexual.
A aparência frágil esconde, no entanto, uma resistência fora do comum. A ausência de pelos facilita a vida subterrânea, reduzindo o atrito nas galerias escavadas e ajudando a conservar energia.
De acordo com a mesma fonte, a manutenção de traços juvenis pode também estar relacionada com a sua longevidade e com a forma como o organismo envelhece de forma mais lenta do que o habitual em roedores.
Importância científica
A ciência tem encontrado neste animal um modelo valioso para compreender fenómenos como o envelhecimento saudável, a resistência a doenças e a adaptação a ambientes extremos. As suas características levantam questões relevantes para a medicina preventiva e regenerativa.
Segundo a Meteored, a resistência ao cancro, em particular, tem sido alvo de atenção, com investigadores a procurarem identificar os mecanismos genéticos e celulares envolvidos. O objetivo é descobrir formas de aplicar esse conhecimento em tratamentos futuros.
Também a insensibilidade à dor e a capacidade de viver com pouco oxigénio são áreas em estudo. Estas adaptações podem ter implicações no desenvolvimento de terapias para condições humanas com características semelhantes.
Uma vida em comunidade subterrânea
As colónias onde habita o rato-toupeira-nu podem incluir dezenas de indivíduos e túneis com mais de cinco quilómetros de extensão. A organização da colónia é estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia social definida.
A comunidade tem uma única fêmea reprodutora, a chamada rainha. Apenas alguns machos são escolhidos para acasalar com a rainha, enquanto os restantes atuam como operários. Estes dedicam-se à escavação dos túneis, à obtenção de alimento e à proteção da colónia.
Este tipo de estrutura social, conhecido como eussocialidade, é extremamente raro entre mamíferos. De acordo com a mesma fonte, a existência de castas e tarefas específicas torna este mamífero ainda mais singular.
Potencial para novas descobertas
O estudo deste pequeno mamífero continua a fornecer dados que desafiam o conhecimento atual sobre biologia e saúde.
As descobertas associadas a este animal continuam a surpreender os cientistas e poderão, no futuro, ter impacto significativo na saúde humana.
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