A Gato Preto vai encerrar todas as lojas que mantém em Espanha no início de 2026, numa decisão que marca um recuo claro na sua estratégia de internacionalização e que tem como principal objetivo assegurar a continuidade da operação em Portugal. A empresa procura, desta forma, concentrar recursos num momento crítico, depois de vários exercícios negativos e de um processo formal de reestruturação financeira.
De acordo com a NiT, site especializado em atualidade e lifestyle, o plano apresentado em tribunal prevê o fecho das oito lojas espanholas como forma de poupar custos e proteger o núcleo do negócio em território nacional, permitindo “salvaguardar parte significativa dos postos de trabalho” em Portugal. A empresa defende que esta opção é essencial para assegurar a continuidade da atividade e preservar o seu valor económico e social.
Anos de prejuízos e um plano para evitar a falência
Os últimos anos têm sido particularmente difíceis para a cadeia portuguesa de móveis e decoração. Em 2024, a Gato Preto registou prejuízos na ordem dos 15 milhões de euros, resultado de um contexto económico adverso, marcado pela quebra do consumo, aumento dos custos operacionais e pressão sobre as margens no retalho especializado.
Já em setembro de 2025, a empresa avançou com um Processo Especial de Revitalização, mecanismo legal destinado a evitar a insolvência e a permitir a renegociação de dívida com credores.
Nessa altura, foi revelado que a Gato Preto acumulava mais de 300 credores, com créditos superiores a 50 milhões de euros, um peso que se tornou difícil de sustentar com a estrutura existente.
O encerramento da operação em Espanha surge, assim, como uma consequência direta desse processo. A empresa assume que a dispersão geográfica, num contexto de fragilidade financeira, dificultava a recuperação e tornava menos eficaz a gestão dos recursos disponíveis.
Apostar no mercado nacional e no digital
O plano agora em curso passa por reforçar a presença da marca em Portugal, mantendo a rede de lojas físicas nas regiões Norte, Centro e Sul, e por apostar de forma mais consistente no canal online. A administração considera que o comércio eletrónico oferece maior eficiência e rentabilidade, estando mais alinhado com os hábitos atuais dos consumidores.
Esta reorientação estratégica pretende garantir uma operação mais focada e ajustada à dimensão real do negócio, sem abdicar da presença nacional que caracteriza a marca desde a sua fundação. A empresa acredita que esta combinação entre lojas físicas e canal digital poderá ser determinante para a sua estabilização.
A decisão é também apresentada como vantajosa para os credores, uma vez que, segundo a empresa, aumenta a probabilidade de pagamento de valores mais elevados do que aqueles que resultariam de um cenário de liquidação total, preservando simultaneamente o valor da marca e a continuidade da atividade.
Fundado em Portugal e adquirido pelo Grupo Aquin em 2020, a Gato Preto conta atualmente com 39 lojas, das quais 31 permanecem em território nacional.
O fecho das unidades em Espanha representa um passo atrás na expansão internacional, mas é encarado internamente como um movimento necessário para garantir a sobrevivência da empresa. Segundo a NiT, a administração acredita que este recuo poderá abrir caminho a uma fase mais estável e sustentável do negócio.















