Um avião da British Airways foi obrigado a pedir a 20 passageiros que desembarcassem pouco antes da descolagem de Florença para Londres, devido ao peso excessivo da aeronave em condições de calor extremo. O episódio, relatado pelo jornal britânico The Sun e citado pela revista especializada em economia e negócios Executive Digest, chamou a atenção para os efeitos das altas temperaturas na aviação comercial e para os desafios que poderão agravar-se com as alterações climáticas.
Causa do problema
Segundo as informações divulgadas, o problema surgiu porque o calor reduz a densidade do ar, o que interfere diretamente na capacidade de sustentação das asas e na eficiência dos motores. Esta combinação aumenta o consumo de combustível e obriga as companhias a tomar medidas de última hora para garantir a segurança do voo.
A pista também ‘não ajudou’
O caso foi ainda mais delicado devido à pista relativamente curta do Aeroporto Américo Vespúcio, em Florença. Para compensar a falta de densidade do ar, seria necessária uma aceleração maior para permitir a descolagem.
Perante essa limitação, a solução foi reduzir o peso total da aeronave através do desembarque de passageiros.
Eram 36, passaram a ser 20
Inicialmente, a British Airways informou que 36 passageiros teriam de sair do avião antes da descolagem. No entanto, após novos cálculos, o número foi reduzido para 20. Um dos passageiros, citado pela mesma fonte, relatou que o piloto explicou a situação a bordo, justificando a decisão com as temperaturas invulgarmente altas.
A companhia aérea pediu desculpas pelo transtorno e assegurou que os passageiros afetados chegariam ao destino final com a maior brevidade possível. A operação de reorganização demorou cerca de duas horas e meia, entre recolha de bagagens, realocação em outros voos e apoio logístico.
O que dizem os especialistas
Especialistas citados pela mesma fonte afirmam que situações como esta podem deixar de ser excecionais. Jonny Williams, investigador da Universidade de Reading, alertou que fenómenos de calor extremo, que antes ocorriam em média uma vez por ano, poderão passar a repetir-se várias vezes por semana até 2060.
Se esse cenário se confirmar, as companhias aéreas terão de se adaptar, seja limitando o número de passageiros, seja aumentando custos para compensar os constrangimentos operacionais, o que poderá tornar as viagens aéreas para determinados destinos europeus mais caras e menos práticas durante os meses de verão.
De acordo com a Executive Digest, este episódio ocorrido em Florença surge como exemplo concreto dos impactos imediatos que o aquecimento global pode ter no transporte aéreo, levantando questões sobre o futuro da mobilidade internacional em condições de calor cada vez mais extremo.
















