A chegada dos meses frios traz rotinas mais exigentes na cozinha e reforça a importância de prestar atenção à forma como os alimentos são armazenados. Entre hábitos antigos e recomendações técnicas atuais, persistem práticas que continuam a gerar dúvidas e que podem influenciar tanto a qualidade da comida como o desempenho do frigorífico, segundo os fabricantes.
Um dos comportamentos que mais divide opiniões é o de colocar alimentos muito quentes diretamente no frigorífico. O portal especializado em tecnologia Tom’s Guide alerta que este gesto provoca uma subida imediata da temperatura interna, explicando que “se colocar comida quente no seu frigorífico, a temperatura interior vai aumentar quase de imediato”.
Isto obriga o compressor a trabalhar de forma mais intensa para recuperar o frio, aumentando o consumo de energia e criando oscilações térmicas que podem afetar os restantes alimentos.
O que dizem os fabricantes
Diversas marcas apontam para a mesma recomendação. A Bosch indica nos seus manuais que se deve “deixar os alimentos e bebidas quentes arrefecerem antes de os colocar no aparelho”, uma regra que surge de forma consistente em vários modelos.
A LG segue a mesma orientação, afirmando: “Deixe a comida quente arrefecer antes de a guardar. Colocar alimentos muito quentes no frigorífico pode estragar outros alimentos e aumentar os custos de eletricidade.”
Já a Samsung, de acordo com a mesma fonte, admite que é possível guardar um prato ainda quente, mas alerta para o facto de isso gerar condensação e maior gasto energético. Num dos seus guias, recomenda: “Para evitar este problema, é melhor deixar o prato quente arrefecer durante cerca de 30 minutos antes de o colocar no frigorífico.”
Segurança alimentar e zona de risco
As autoridades de segurança alimentar, citadas pela mesma fonte, recordam que os alimentos cozinhados não devem permanecer demasiado tempo à temperatura ambiente. A chamada “zona de perigo”, situada aproximadamente entre os 5 ºC e os 60 ºC, corresponde ao intervalo em que as bactérias se multiplicam mais rapidamente.
Por esse motivo, recomenda-se que os alimentos entrem no frigorífico até duas horas depois de preparados, permitindo que arrefeçam de forma segura, mas sem risco acrescido de contaminação.
Como arrefecer de forma correta
As marcas e os especialistas convergem numa estratégia simples: evitar colocar grandes quantidades de comida muito quente no frigorífico. Recipientes mais baixos e porções menores arrefecem mais rapidamente e de forma mais segura.
Além disso, tapar os alimentos antes de os guardar ajuda a reduzir a humidade libertada e o esforço exigido ao compressor. O Tom’s Guide resume esta ideia ao afirmar que “guardar alimentos e líquidos destapados aumenta os níveis de humidade, o que pode pôr o compressor sob esforço”.
Impacto energético
O impacto energético também não deve ser desvalorizado. Marcas como a LG lembram que, ao introduzir comida demasiado quente, o frigorífico consome mais energia e pode ter uma vida útil mais curta. Por isso, é aconselhável deixar os alimentos arrefecer alguns minutos, mexê-los ou dividi-los em recipientes mais pequenos antes de os guardar no frio.
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