A água do mar pode deixar de ser própria para banhos por diferentes motivos, quase sempre ligados à entrada de resíduos contaminados no ecossistema marinho. Em Portugal, dois episódios ocorridos em agosto, um na Nazaré e outro no Algarve, mostraram como as bactérias podem chegar às zonas balneares e forçar as autoridades a erguer bandeiras vermelhas.
De acordo com o jornal Observador, na Nazaré a interdição ocorreu depois de uma falha técnica numa Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR), que originou a descarga de águas não tratadas no mar. Já no Algarve, a causa específica não foi confirmada, mas os testes laboratoriais revelaram níveis muito elevados de Enterococcus na Praia Verde e na Praia da Alagoa.
Falhas humanas e fenómenos naturais
Segundo a mesma fonte, as avarias mecânicas nas ETAR são um dos motivos mais comuns para a presença de bactérias como a Escherichia coli e a Enterococcus na água. Estas estações recebem e tratam as águas residuais, impedindo que poluentes cheguem diretamente ao mar. Quando ocorre uma falha, parte ou a totalidade da água pode ser libertada sem tratamento adequado.
Acrescenta a publicação que fenómenos, como picos de precipitação, também podem estar na origem do problema. Uma chuva intensa pode sobrecarregar os sistemas de saneamento e levar ao escoamento de águas pluviais misturadas com resíduos para o mar.
Descargas indevidas e outras fontes
As descargas de embarcações próximas da costa são outro fator a considerar. Um simples despejo de águas residuais de um navio pode introduzir matéria fecal no mar, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento de bactérias nocivas.
Conforme o Observador, a presença de animais na água ou dejetos que chegam ao mar através de correntes ou enxurradas também pode contribuir para a contaminação. Mesmo em menor escala, estes fatores podem ser suficientes para que os testes de qualidade da água ultrapassem os limites de segurança.
Deteção e tempo de recuperação
Explica o jornal que a deteção de bactérias é feita através de análises laboratoriais periódicas, intensificadas no verão devido à maior afluência de banhistas. As bactérias também podem ser suspeitadas a partir de sinais visuais, como alteração da cor da água, ou olfativos, como mau cheiro.
Não existe um método químico para “limpar” a água. A recuperação depende do movimento natural do mar, que dispersa os poluentes até que os níveis voltem a valores seguros. Este processo pode demorar algumas horas ou vários dias, consoante a dimensão da contaminação e as condições meteorológicas.
Leia também: Foi cortar o cabelo e Mercadona despediu-a: justiça teve última palavra
















