Para muitos, tomar banho antes de dormir é apenas uma rotina prática. Mas especialistas em medicina do sono e estudos internacionais mostram que este gesto pode influenciar a qualidade do descanso e até revelar traços de personalidade.
De acordo com o jornal espanhol AS, o investigador Shahab Haghayegh, da Faculdade de Medicina de Harvard e do Massachusetts General Hospital, tem vindo a estudar os efeitos desta prática. Num dos seus trabalhos, concluiu que um banho ou duche morno, feito uma a duas horas antes de dormir, pode melhorar a rapidez com que adormecemos e tornar o sono mais eficiente.
O segredo está no modo como o corpo reage à água morna. O aquecimento periférico acelera a descida da temperatura central depois do banho, sinal que o organismo interpreta como preparação natural para descansar.
Uma questão de timing
De acordo com a Sleep Foundation, o momento é decisivo. Um duche demasiado próximo da hora de deitar, sobretudo se a água estiver muito quente, pode ter o efeito contrário e atrasar o início do sono.
A recomendação passa por manter a água morna e limitar a duração a cerca de dez minutos, terminando o banho pelo menos uma hora antes de se deitar. Com estas condições, o duche torna-se um verdadeiro aliado da higiene do sono, sem necessidade de recorrer a suplementos ou medicamentos.
Ritual de fecho do dia
Para além da componente fisiológica, há um lado psicológico. Muitas pessoas encaram o banho noturno como um gesto simbólico que marca o fim da jornada.
Depois do estudo, trabalho ou tarefas domésticas, esta rotina ajuda a desligar das pressões do dia e a iniciar a transição para o descanso.
Especialistas em comportamento, citados pela mesma fonte, sublinham que estes rituais de transição são fundamentais para quem sente dificuldade em “parar a mente” ao final do dia.
Inspiração no duche
Segundo a National Geographic, o banho pode ser também um espaço de introspeção. É frequente surgirem ideias ou soluções durante este momento, porque o cérebro entra num estado de divagação criativa.
Este fenómeno, conhecido como mind-wandering, é mais provável quando realizamos tarefas automáticas que não exigem grande concentração.
Assim, tomar banho à noite não só relaxa como pode ser uma oportunidade para refletir sobre o dia e até estimular a criatividade.
Questão de conforto
Há também quem não abdique do banho noturno por uma questão de sensibilidade à sujidade. Estudos citados pela Biblioteca Nacional de Medicina referem que pessoas mais intolerantes ao pó ou à poluição tendem a preferir este ritual ao fim do dia.
Para estes perfis, deitar-se sem se sentir limpo seria impensável, e o banho é visto como condição essencial para uma noite tranquila.
Preferências pessoais
Outro fator prende-se com o cronótipo. Segundo o AS, quem é naturalmente mais ativo à noite pode encontrar no duche uma forma de encerrar o período de maior energia e preparar-se para descansar.
Já os que privilegiam a manhã preferem usar a água como forma de despertar e iniciar o dia com vigor.
Mais pragmáticos
Por fim, existe um lado prático. Quem opta pelo banho à noite aceita que não terá o “ar de recém-duchado” ao sair de casa de manhã.
Essa escolha traduz-se, muitas vezes, numa postura mais pragmática: valorizam a eficiência e o conforto do sono em detrimento da aparência imediata.
















