A toma regular de vitamina D pode estar associada a um risco ligeiramente menor de progressão para diabetes tipo 2 em pessoas com pré-diabetes, segundo resultados recentes de vários ensaios clínicos analisados por investigadores internacionais. A relação não é definitiva, mas os dados estão a suscitar atenção crescente entre médicos e especialistas em metabolismo.
A ligação entre uma vitamina conhecida sobretudo pelo seu papel na saúde óssea e o controlo da glicemia pode parecer inesperada.
No entanto, de acordo com uma investigação citada pela revista Prevention, especializada em saúde, há sinais consistentes de que níveis adequados de vitamina D podem influenciar mecanismos-chave do metabolismo da glucose, sobretudo em pessoas que já apresentam alterações nos valores de açúcar no sangue.
O que revelou o estudo
Segundo a publicação, a análise mais recente reuniu dados de cerca de 4.500 adultos com pré-diabetes, provenientes de dez ensaios clínicos distintos. Entre os participantes que tomaram suplementos de vitamina D, cerca de 18,5 por cento conseguiu regressar a valores normais de glicemia, contra 14 por cento no grupo que recebeu placebo.
Noutros trabalhos anteriores, também referidos pela mesma fonte, observou-se que, ao longo de um acompanhamento de três anos, a progressão para diabetes tipo 2 foi ligeiramente inferior entre os participantes que tomaram vitamina D diariamente, quando comparados com aqueles que não o fizeram. As diferenças são modestas, mas estatisticamente relevantes.
Porque pode a vitamina D influenciar o açúcar no sangue
Especialistas explicam que a vitamina D atua no organismo como uma hormona, com impacto em vários sistemas. De acordo com a mesma fonte, níveis adequados parecem estar associados a uma melhor sensibilidade à insulina, um fator determinante na prevenção da diabetes tipo 2.
A inflamação crónica de baixo grau é outro elemento frequentemente apontado como fator de risco para a doença. Segundo vários investigadores citados pela Prevention, a vitamina D pode ter um efeito anti-inflamatório, contribuindo indiretamente para um melhor controlo glicémico.
Há ainda dados que sugerem que a deficiência de vitamina D está associada a disfunção das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Essa associação ajuda a explicar por que razão pessoas com níveis baixos da vitamina tendem a apresentar maior risco metabólico.
Resultados promissores, mas com cautela
Apesar dos resultados, os próprios investigadores sublinham que a vitamina D não deve ser encarada como uma solução isolada. Segundo a publicação, não existe atualmente qualquer recomendação oficial para a utilização de suplementos de vitamina D como estratégia única de prevenção da diabetes.
Os especialistas alertam que muitos estudos observacionais encontram associações que nem sempre se traduzem numa relação direta de causa e efeito. Além disso, pessoas que tomam suplementos podem, em simultâneo, ter estilos de vida mais saudáveis, o que também influencia os resultados.
Suplementar ou não suplementar
De acordo com os médicos citados, a abordagem mais prudente passa por avaliar os níveis de vitamina D através de análises clínicas, sobretudo em pessoas com pré-diabetes ou outros fatores de risco metabólico. Em casos de deficiência confirmada, a suplementação pode trazer benefícios que vão além do controlo da glicemia, incluindo saúde óssea e imunidade.
Nos ensaios analisados, a dose média utilizada rondou as 4.000 unidades internacionais por dia, embora a necessidade individual possa variar consoante o peso, a exposição solar e o perfil clínico. Os especialistas alertam ainda para os riscos do excesso, que pode provocar alterações nos níveis de cálcio e complicações renais.
A prevenção continua a depender do essencial
Os investigadores são claros num ponto: mesmo que a vitamina D desempenhe um papel auxiliar, a prevenção da diabetes tipo 2 continua a depender sobretudo de alimentação equilibrada, controlo do peso, atividade física regular, sono adequado e gestão do stress.
Segundo a Prevention, a vitamina D pode integrar uma estratégia mais ampla de prevenção, mas não substitui as medidas já bem estabelecidas. Para quem vive com pré-diabetes, o acompanhamento médico continua a ser decisivo para evitar a progressão da doença.
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