Muitos portugueses continuam a descongelar peixe congelado em casa de uma forma que aumenta riscos graves para a saúde. A prática, que pode parecer inócua, está a tornar-se viral nas redes sociais, depois de utilizadores admitirem desconhecer os perigos de aquecer peixe ainda dentro das embalagens a vácuo. De acordo com o HuffPost, site especializado em lifestyle, esta situação favorece o crescimento de bactérias que podem produzir toxinas perigosas.
Um risco que se esconde no frigorífico
O problema surge porque certas bactérias, como a Clostridium botulinum, crescem em ambientes com pouco ou nenhum oxigénio. Segundo a mesma fonte, deixar o peixe selado a vácuo durante o descongelamento cria precisamente estas condições.
À medida que o peixe aquece, os esporos da bactéria podem germinar e produzir toxinas que afetam o sistema nervoso, provocando sintomas graves e potencialmente fatais. Vómitos, náuseas, diarreia, fraqueza muscular e dificuldades respiratórias são apenas alguns sinais da intoxicação alimentar. Em casos extremos, a paralisia dos pulmões pode levar à sufocação.
De acordo com especialistas citados pelo HuffPost, todos os peixes estão potencialmente em risco se forem descongelados dentro da embalagem original.
O perigo aumenta com o tempo: quanto mais horas o peixe permanecer em ambiente de baixo oxigénio à temperatura ambiente, maior a probabilidade de desenvolvimento da bactéria e da toxina.
Como descongelar de forma segura
Para reduzir o risco, a recomendação é retirar imediatamente o peixe da embalagem a vácuo antes de o colocar no frigorífico. Pode ser colocado num recipiente, como um Tupperware, e deixado a descongelar durante a noite. Se, no dia seguinte, o peixe continuar parcialmente congelado, a função de descongelamento do micro-ondas pode ser utilizada, mas sempre fora da embalagem original.
Segundo a mesma fonte, deixar o peixe durante mais de duas horas à temperatura ambiente aumenta significativamente a exposição ao risco. Uma hora é considerada segura, duas horas começam a exigir cautela, e quatro horas já são perigosas.
Se o peixe permanecer fora do frio durante a noite, o mais seguro é descartá-lo. Estas orientações seguem a chamada “Zona de Perigo” da FDA, que estabelece que alimentos mantidos entre 4 e 60 graus Celsius por mais de duas horas permitem a multiplicação rápida de bactérias.
Atenção redobrada
O HuffPost alerta ainda para a necessidade de atenção redobrada com peixes como salmão ou tilápia, muitas vezes vendidos em embalagens a vácuo e preparados em casa de forma pouco cuidada. A prática de descongelar diretamente na embalagem, comum entre consumidores, pode ter consequências graves.
Seguindo estas recomendações simples, é possível reduzir o risco de contaminação sem alterar significativamente os hábitos de cozinha. Segundo a mesma fonte, a chave está em manter o peixe sob vigilância, garantir que o descongelamento ocorre fora do vácuo e limitar o tempo à temperatura ambiente.
















