Ter vontades súbitas de comer determinados alimentos ou substâncias é mais comum do que se imagina, mas quando o desejo persiste pode ser um alerta do organismo para uma carência mineral. Segundo o Notícias ao Minuto, especialistas apontam que a vontade insistente de mastigar gelo pode estar associada a uma deficiência de ferro, que em casos mais graves pode evoluir para anemia.
Quando o corpo dá sinais
Desejar gelo num dia quente é normal. Contudo, se o impulso for frequente e não tiver relação com calor ou sede, pode estar em causa um défice de ferro. A carência deste mineral compromete a produção de glóbulos vermelhos saudáveis, responsáveis por transportar oxigénio, sobrecarregando órgãos como o coração, que precisa de bombear mais depressa para compensar a falha.
O oncologista Daniel Landau explicou, citado pela mesma fonte, que este sintoma está muitas vezes ligado à chamada pagofagia, condição caraterizada pelo desejo de ingerir substâncias sem valor nutricional, como gelo, argila, terra ou papel.
Porque é que o gelo se torna tão apelativo?
De acordo com a mesma fonte, investigadores têm procurado entender esta ligação e alguns estudos apontam que mastigar gelo aumenta o estado de alerta em pessoas com anemia ferropriva.
A médica britânica Helen Evans-Howells, citada pelo Business Insider, acrescenta que o gelo pode aliviar sintomas associados à falta de ferro, como língua seca ou inflamações na boca. Outra hipótese é que a mastigação estimule o fluxo sanguíneo cerebral, diminuído pela escassez de glóbulos vermelhos. No entanto, a especialista sublinha que a explicação mais provável é simples: o corpo encontra uma forma de evidenciar a deficiência nutricional.
Sintomas a ter em atenção
A deficiência de ferro afeta homens e mulheres, mas é mais frequente no sexo feminino. Gravidez, amamentação, perdas menstruais abundantes, dietas pobres em ferro, problemas gastrointestinais ou cirurgias anteriores aumentam o risco.
Os sinais mais comuns, segundo aponta o Notícias ao Minuto, incluem cansaço, fraqueza, falta de ar, dor no peito, palpitações, perda de apetite, tonturas e dores de cabeça. Outros indícios podem ser pele pálida, queda de cabelo, mãos e pés frios, língua inflamada, pernas inquietas ou unhas quebradiças.
O risco da automedicação
Apesar da frequência deste problema, não se deve avançar para suplementos sem avaliação médica, conforme refere a mesma fonte. O excesso de ferro pode ser tão prejudicial como a sua falta, uma vez que o acúmulo no organismo danifica o fígado e provoca complicações adicionais.
Em alguns casos, a anemia por deficiência deste mineral pode resultar em hemorragias internas, pelo que é essencial excluir esta possibilidade antes de iniciar qualquer tratamento. A orientação médica é, por isso, fundamental para garantir um diagnóstico correto e uma abordagem segura.
Leia também: Novo teste em estudo em Portugal pode detetar cancro em apenas 5 minutos: saiba como funciona
















