A pesquisa sobre o Ecossistema Criativo da Maurícia* recentemente elaborada pelo Instituto Britânico, apresenta os pontos fortes, as lacunas e o potencial futuro das indústrias criativas e culturais (ICC) do país.
À medida que as Maurícias, que integram o arquipélago Mascarenhas,** procuram diversificar a sua economia, a criatividade e a cultura oferecem ferramentas poderosas para o crescimento sustentável, a criação de emprego e o envolvimento dos jovens. Apesar da rica identidade multicultural do país e das fortes expressões artísticas, muitos criativos enfrentam desafios sistémicos que impedem o pleno desenvolvimento do setor.
A investigação do Instituto Britânico centra-se em oito setores principais: artes visuais, música, artes do espetáculo, artesanato, literatura, cinema, novos meios de comunicação social e moda, com base em inquéritos nacionais, entrevistas com partes interessadas e estudos de caso. Destaca as realidades urbanas e rurais, ao mesmo tempo que alinha as suas conclusões com as tendências africanas e globais mais amplas da economia criativa.
As principais conclusões incluem referencias a paisagem cultural diversificada reconhecendo que o setor criativo se baseia numa rica mistura de influências africanas, indianas, europeias e asiáticas.
Com um potencial económico significativo: as ICC contribuem para o turismo cultural, a criação de emprego e oportunidades de exportação que apoiam o crescimento económico inclusivo e os principais desafios, em termos de infraestruturas e políticas, são a falta de espaços de exposição, o financiamento limitado e os quadros políticos pouco preparados que limitam o desenvolvimento do setor apesar disso, no campo da transformação digital: os criativos estão a usar plataformas digitais para expandir a sua difusão e reimaginar as suas práticas.
Existe um interesse crescente em alinhar as indústrias criativas das Maurícias com as tendências globais em matéria de sustentabilidade. Os inquiridos para o relatório, imaginaram um futuro em que métodos de produção respeitadores do ambiente, comércio justo e consumo ético são fundamentais para o desenvolvimento das indústrias criativas.
O relatório fornece ainda evidências para orientar responsáveis das políticas, os financiadores e os parceiros no apoio a uma economia criativa mais interessante, inclusiva e globalmente conectada nas Maurícias.
Edição e adaptação de João Palmeiro.

*Em 1507, os navegadores portugueses chegaram à ilha desabitada e estabeleceram uma base de visitantes. Diogo Fernandes Pereira, navegador português, foi o primeiro europeu conhecido a desembarcar nas Maurícias que nomeou a ilha de “Ilha do Cirne”. Os portugueses não ficaram muito tempo porque não estavam interessados nessas ilhas. A República das Ilhas Maurícias ou República de Maurício (em inglês: Republic of Mauritius, em francês République de Maurice, em crioulo mauriciano Repiblik Moris), é um país insular do oceano Índico, a cerca de 2 000 km da costa
**Ilhas Mascarenhas é a designação dada ao conjunto de ilhas que formam um vasto “arquipélago” situado no sudoeste do Oceano Índico, a leste de Madagáscar. As ilhas receberam o nome de Mascarenhas em honra de Pedro Mascarenhas, navegador, diplomata português e mais tarde vice-rei da Índia, que, por volta de 1512, teria comandado um grupo de navios portugueses que as avistaram. Contudo, o arquipélago já aparece numa carta da autoria do geógrafo árabe Sharif El-Edrissi, datada de 1153, a qual mostra as três ilhas principais do grupo: Rodrigues (Dina Arobi), Reunião (Dina Marghabi) e Maurícia (Dina Moraze). Há notícia de mercadores árabes na zona pelo menos desde o século XI.
Leia também: Há dez anos a arte Chocalheira de Alcáçovas foi reconhecida como Património Universal da Unesco
















