Comprar um carro usado pode parecer uma forma de poupar dinheiro, mas há um detalhe que continua a pesar no mercado automóvel: a quilometragem nem sempre conta a história verdadeira do veículo. A adulteração dos conta-quilómetros permanece entre as fraudes mais relevantes na compra de automóveis em segunda mão e afeta diferentes tipos de motorização.
De acordo com a Executive Digest, que cita um estudo da carVertical, os veículos a diesel analisados em Portugal entre janeiro de 2024 e março de 2026 foram os que apresentaram maior percentagem de quilometragem adulterada. Ainda assim, os dados mostram que os carros a gasolina, híbridos e elétricos também já surgem neste tipo de manipulação.
Diesel aparece no topo da lista
Segundo a análise da carVertical citada pela Executive Digest, 4,6% dos veículos diesel verificados em Portugal apresentavam sinais de fraude no conta-quilómetros.
Além de liderarem em percentagem, os diesel registaram também a maior redução média de quilometragem. Em média, desapareceram cerca de 99 mil quilómetros destes veículos, um valor que pode alterar de forma significativa o preço, a perceção de desgaste e o plano de manutenção.
O peso dos diesel neste tipo de fraude pode estar ligado ao facto de muitos destes carros fazerem percursos longos, incluindo utilização profissional ou viagens frequentes, acumulando quilómetros mais depressa do que outros veículos.
Gasolina também surge com valores relevantes
Os automóveis a gasolina surgem logo a seguir. De acordo com o mesmo estudo, 3,6% dos carros a gasolina analisados tinham quilometragem adulterada. Nestes casos, a redução média rondou os 74 mil quilómetros.
Embora o valor seja inferior ao dos diesel, continua a ser suficiente para enganar compradores menos atentos. Um carro anunciado com menos quilómetros aparenta ter menos desgaste, pode ser vendido por um preço superior e pode esconder intervenções de manutenção já necessárias.
Elétricos e híbridos não ficam de fora
A fraude também já aparece nos veículos eletrificados. Entre os híbridos analisados, 2,6% apresentavam sinais de manipulação no conta-quilómetros, com uma redução média de cerca de 57 mil quilómetros.
Nos elétricos, a taxa foi mais baixa, situando-se nos 1,9%, mas ainda assim não deve ser ignorada. Nestes veículos, a redução média rondou os 44 mil quilómetros.
Porque mexer nos quilómetros de um elétrico importa
Num carro elétrico, a quilometragem tem impacto direto na perceção do estado da bateria, da autonomia e dos custos futuros de utilização.
Um veículo com menos quilómetros pode parecer mais valorizado, menos usado e com menor desgaste. Por isso, a manipulação do conta-quilómetros pode tornar o negócio artificialmente mais atrativo.
Matas Buzelis, especialista do mercado automóvel da carVertical, citado pela Executive Digest, alerta que muitos compradores continuam a acreditar que os veículos modernos são impossíveis de manipular. Os dados, no entanto, mostram o contrário.
Marcas mais afetadas entre elétricos e híbridos
O estudo analisou também as marcas de veículos elétricos e híbridos com maior percentagem de discrepâncias na quilometragem em Portugal.
Entre os elétricos, a Opel surge no topo, com 4,3% dos veículos analisados a apresentarem quilometragem adulterada. Seguem-se Renault, com 4,1%, BMW, com 3,2%, Peugeot, com 2%, e Smart, com 1,7%.
Nos híbridos, a Lexus lidera a lista, com 6,3%. Depois aparecem BMW, com 4%, Volkswagen, com 3,7%, Toyota, com 3,5%, e Audi, com 3,3%.
Como evitar cair na fraude
Antes de comprar um carro usado, deve comparar a quilometragem anunciada com o histórico de inspeções, faturas de oficina, revisões e eventuais relatórios de histórico automóvel.
Também é importante observar se o desgaste do volante, pedais, bancos, manípulo da caixa e interiores corresponde aos quilómetros indicados. Um carro com poucos quilómetros anunciados, mas com interior muito gasto, deve levantar suspeitas.
Nos elétricos e híbridos, convém ainda confirmar o estado da bateria, a autonomia real e o histórico de manutenção do sistema elétrico.
O preço demasiado bom deve levantar dúvidas
A fraude no conta-quilómetros pode inflacionar o valor de um carro usado em milhares de euros. Por isso, se o preço parecer demasiado atrativo para a idade, modelo e quilometragem anunciada, vale a pena confirmar tudo com maior detalhe. A pressa em fechar negócio é uma das maiores aliadas deste tipo de burla.
No final, os dados mostram que os diesel continuam a liderar a fraude nos conta-quilómetros em Portugal, mas nenhum tipo de veículo está totalmente protegido. A melhor defesa do comprador continua a ser cruzar informação, pedir documentação e desconfiar de quilómetros que parecem bons demais para ser verdade.
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