A visita paternal num ambiente doméstico no Porto transformou-se num pesadelo que durou vários dias e mobilizou as autoridades para uma operação de resgate de alto risco. O desaparecimento de uma menina de três anos desencadeou uma caça ao homem que culminou na descoberta de uma elevada quantia em dinheiro numerário e de um esconderijo improvável longe da civilização. O desfecho desta ocorrência revelou um cenário de chantagem emocional e perigo iminente para a menor envolvida.
O protagonista deste caso é o próprio pai da criança, um homem de 42 anos que aproveitou o momento de visita na casa da ex-mulher para levar a filha sem consentimento. De acordo com o Correio da Manhã, o suspeito foi detido pela Polícia Judiciária em Matosinhos após uma investigação que durou cerca de uma semana, pondo fim à angústia da família materna.
O rapto ocorreu no passado dia 19 de janeiro e, durante o período em que esteve em fuga, o homem manteve contactos com a mãe da menina. Indica a mesma fonte que o objetivo destes contactos era estabelecer condições e exigências para a devolução da criança, utilizando a filha como moeda de troca para os seus interesses pessoais.
Perfil de um fugitivo qualificado
O detido não se enquadra no perfil de um criminoso comum, possuindo qualificações académicas superiores e um passado profissional na banca. O homem é licenciado em Direito e exerceu funções como bancário antes de se dedicar a outros negócios financeiros mais voláteis.
Atualmente, o suspeito vivia de investimentos no mercado das criptomoedas, uma atividade que lhe permitia movimentar capitais digitais. Explica a referida fonte que esta capacidade financeira ficou patente no momento da detenção, dado o que as autoridades encontraram na sua posse.
Chantagem e isolamento na montanha
A principal motivação para o sequestro da própria filha prendia-se com uma obsessão afetiva em relação à ex-companheira. As exigências comunicadas à mãe da criança passavam invariavelmente pela vontade de reatar o relacionamento amoroso que havia terminado.
Para evitar ser detetado pelas forças de segurança, o homem escolheu um local de difícil acesso para se ocultar com a menor. O esconderijo utilizado foi um abrigo de montanha situado na zona de Montalegre, onde permaneceram isolados e longe dos olhares das populações.
Resgate tenso e apreensões
A operação da Polícia Judiciária culminou quando o homem e a criança foram localizados já na zona de Matosinhos. A abordagem policial só foi efetuada quando os inspetores garantiram que estavam reunidas todas as condições de segurança para proteger a integridade física da menina.
No momento da interceção, o suspeito ofereceu resistência física e chegou mesmo a atacar os agentes da autoridade na tentativa de evitar a prisão. No interior da viatura do detido, a polícia apreendeu uma arma proibida e mais de 100 mil euros em dinheiro vivo.
O estado da criança
O desfecho trouxe alívio, mas também preocupação quanto ao estado em que a vítima foi mantida durante os dias de cativeiro. A menina foi encontrada em deficientes condições de higiene, reflexo dos dias passados no abrigo improvisado e na fuga constante.
Explica ainda o Correio da Manhã que a menor foi imediatamente entregue aos cuidados da mãe após o resgate. O pai será agora presente a um juiz de instrução criminal para conhecer as medidas de coação, enfrentando acusações graves decorrentes do rapto e da posse de arma e avultadas quantias monetárias.
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