A depressão atlântica Joseph, nomeada nos últimos dias, deverá marcar de forma significativa o estado do tempo em Portugal continental, nos Açores e, em menor grau, na Madeira, entre 26 e 28 de janeiro. O sistema, associado a frentes ativas e ao arrastamento de ar frio, traz consigo um cenário de inverno pleno, com precipitação por vezes intensa, vento forte, agitação marítima relevante e queda de neve nas terras altas. O impacto será gradual, mas poderá incluir momentos de agravamento rápido das condições meteorológicas.
De acordo com o Luso Meteo, site especializado em meteorologia e acompanhamento de fenómenos atmosféricos, a depressão encontrava-se centrada a noroeste dos Açores, com uma pressão mínima muito baixa, sinal de um ciclone bem estruturado e energeticamente ativo.
Segundo a mesma fonte, trata-se de um sistema com vários picos de intensidade, capaz de gerar núcleos secundários que reforçam a instabilidade à medida que progride para leste.
Açores sob vento forte e mar muito agitado
No arquipélago dos Açores, os efeitos fazem-se sentir de forma mais direta e intensa. Estão previstas rajadas fortes a muito fortes, precipitação persistente e uma agitação marítima considerada significativa, sobretudo na costa norte das ilhas.
As ondas poderão ultrapassar os 10 metros, com valores pontuais bastante superiores, criando um cenário de risco elevado para a navegação e zonas costeiras mais expostas.
A descida das temperaturas associada à passagem da depressão favorece também a queda de neve nos pontos mais altos, em especial na ilha do Pico, acima dos mil metros de altitude. Embora pouco frequente, este fenómeno não é inédito em situações de inverno mais rigoroso.
Chuva, vento e neve no continente
À medida que Joseph se aproxima do continente, o tempo deverá agravar-se inicialmente no Norte e Centro, com chuva por vezes intensa, acompanhada de vento forte e trovoadas. Distritos como Viana do Castelo, Porto, Braga, Aveiro e Viseu estarão entre os mais expostos numa primeira fase, antes de a instabilidade se estender a grande parte do território.
O ar frio transportado pela circulação da depressão permitirá a descida da cota de neve para valores relativamente baixos para a época, podendo situar-se entre os 700 e os 900 metros. As principais serras do Norte e Centro, incluindo Gerês, Marão, Montemuro e Estrela, poderão registar acumulações relevantes, sobretudo acima dos 1.100 metros.
Existe ainda a possibilidade de formação de um núcleo secundário ao largo do litoral, capaz de reforçar temporariamente o vento e a precipitação, em especial entre o Minho e a região de Lisboa.
Este tipo de evolução é comum em depressões profundas e contribui para a incerteza quanto à intensidade máxima dos fenómenos.
Madeira mais resguardada, mas atenta ao mar
Na Madeira, o impacto deverá ser mais limitado, com maior destaque para a agitação marítima e episódios de vento moderado a forte nas zonas mais elevadas.
A influência residual do anticiclone ajuda a manter o arquipélago relativamente protegido dos efeitos mais severos.
Segundo o Luso Meteo, apesar de se tratar de uma situação típica de inverno atlântico, os riscos associados à chuva persistente, ao vento e ao mar justificam atenção redobrada, sobretudo em zonas vulneráveis a cheias rápidas, derrocadas e galgamentos costeiros.
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