Antes de qualquer melhoria significativa do estado do tempo, Portugal continental prepara-se para enfrentar mais um episódio de precipitação persistente e localmente intensa. A partir de segunda-feira, dia 9, um novo rio atmosférico irá reforçar a entrada de frentes atlânticas muito ativas, prolongando a chuva em Portugal, sobretudo nas regiões Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo, numa altura em que os solos já se encontram saturados e os principais rios com caudais elevados.
Depois da passagem da tempestade Leonardo, responsável por valores excecionais de precipitação e por cheias em várias zonas do país, a instabilidade atmosférica não dará tréguas.
De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia, os modelos continuam a insistir num padrão marcado por sucessivas depressões atlânticas e pelo transporte de ar tropical quente e muito húmido desde latitudes mais baixas, um cenário propício a chuva persistente e eficaz.
O que é um rio atmosférico e porque agrava a chuva
Os rios atmosféricos são corredores estreitos e alongados de vapor de água que se deslocam na atmosfera, transportando grandes quantidades de humidade desde as regiões tropicais até às latitudes médias.
Segundo explica o Meteored, quando estes sistemas interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis, potenciam episódios de precipitação intensa e prolongada, muitas vezes responsáveis por cheias rápidas e inundações.
Foi precisamente esta combinação que esteve na origem da precipitação excecional registada nos últimos dias, com impacto significativo nas bacias do Mondego, Tejo, Sado e Guadiana, e que voltará a repetir-se no arranque da próxima semana.
Solos saturados e rios no limite aumentam o risco
A situação meteorológica atual é agravada pelo estado do território. Os solos encontram-se saturados, incapazes de absorver mais água, e vários rios apresentam caudais elevados ou já transbordaram em pontos localizados.
A isto juntam-se albufeiras e barragens próximas do limite operacional, algumas das quais já obrigaram a descargas de segurança, e ainda o degelo da neve acumulada nas zonas montanhosas do Norte e Centro.
De acordo com a mesma fonte, as regiões mais expostas continuam a ser aquelas cuja orografia está orientada para os ventos dominantes de Oeste e Sudoeste, que chegam carregados de humidade após atravessarem o Atlântico.
Onde pode chover mais nos próximos dias
Até ao final de terça-feira, dia 10, os modelos apontam para acumulados elevados em vários distritos do Norte e Centro. Segundo a Meteored, Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra, bem como setores ocidentais de Vila Real e Viseu, poderão registar valores superiores a 200 mm.
Em zonas específicas, como Sever do Vouga e a Serra do Arestal, entre Vale de Cambra e Águeda, os acumulados poderão mesmo ultrapassar localmente os 300 mm.
Embora os valores diários previstos para a próxima semana não sejam, em regra, tão extremos como os registados durante a tempestade Leonardo, a chuva irá cair sobre um território já fragilizado, o que mantém elevado o risco de inundações urbanas, derrocadas e deslizamentos de terras.
Há sinais de mudança mais à frente, mas a incerteza mantém-se
No final da próxima semana poderá surgir uma alteração gradual do padrão atmosférico. As últimas atualizações dos modelos europeu e americano sugerem uma possível subida em latitude do anticiclone dos Açores, o que poderá trazer uma trégua relativa à precipitação.
No entanto, este cenário ainda apresenta elevada incerteza e não invalida a continuidade de chuva nos primeiros dias da semana, sobretudo no Norte e Centro.
Perante este contexto, o Meteored apela ao acompanhamento atento dos avisos meteorológicos e das recomendações da Proteção Civil. Mesmo que a intensidade da chuva abrande em alguns períodos, os efeitos acumulados da precipitação com o rio atmosférico mantêm o território vulnerável, exigindo prudência redobrada nos próximos diase em Portugal.
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