A instabilidade atmosférica que se tem feito sentir nos últimos dias está longe de dar tréguas e prepara-se para entrar numa fase crítica que exige precaução redobrada. Enquanto a população ainda recupera dos últimos episódios chuvosos, os modelos meteorológicos detetaram a aproximação de uma frente fria vigorosa que trará condições adversas já nas próximas horas. No entanto, é um cenário potencialmente explosivo previsto para meio da semana que está a captar toda a atenção dos especialistas devido à sua semelhança com eventos passados violentos.
A maior preocupação reside na possibilidade de formação de um “sting-jet” ou jato de ferrão na próxima quarta-feira, um fenómeno meteorológico violento, raro e destrutivo que traz ventos que muitos portugueses recordam da tempestade Leslie. De acordo com o portal Luso Meteo, especializado em previsões e análises climáticas, cerca de 75 por cento dos modelos matemáticos sugerem o desenvolvimento de um núcleo depressionário secundário muito intenso que poderá afetar o território nacional.
A confirmar-se esta previsão, Portugal Continental poderá enfrentar rajadas de vento severas, resultantes da interação entre uma perturbação subtropical e o ar polar. Este agravamento surgirá logo após a passagem de uma frente fria inicial que, já esta segunda-feira à noite, deixará o país sob aviso devido à força dos elementos.
Ventos mais fortes que na tempestade Ingrid
Antes da possível chegada do fenómeno de quarta-feira, o país terá de enfrentar uma noite de segunda para terça-feira particularmente dura. A passagem de uma frente oclusa trará chuva persistente e, posteriormente, torrencial, elevando o risco de inundações rápidas e galgamento de margens por parte dos rios, especialmente na região Norte.
Indica a mesma fonte que este episódio será acompanhado por um aumento considerável da intensidade do vento, que soprará de Sudoeste. As rajadas poderão ultrapassar ocasionalmente os 100 quilómetros por hora no litoral e atingir os 120 quilómetros por hora nas terras altas, valores superiores aos registados durante a recente tempestade Ingrid.
O regresso da neve e do frio
Após a passagem da chuva torrencial, a madrugada de terça-feira trará uma mudança drástica de massa de ar. A entrada de ar mais frio provocará uma descida acentuada das temperaturas, criando condições para a ocorrência de trovoadas, queda de granizo e o regresso da neve.
Explica a referida fonte que a neve deverá cair com intensidade acima dos 1000 metros de altitude, prevendo-se um nevão significativo nas serras. Esta instabilidade resulta do choque térmico entre o ar marítimo subtropical e o ar polar que se instalará gradualmente sobre a Península Ibérica.
Mar perigoso com ondas de 10 metros
A agitação marítima acompanhará o agravamento das condições atmosféricas, tornando a orla costeira num local de alto risco. A ondulação viajará rapidamente pelo Atlântico, prevendo-se que as ondas na costa ocidental passem de cinco para dez metros de altura máxima entre segunda e quarta-feira.
O Algarve não escapará a este cenário, esperando-se também muita agitação marítima na costa sul a meio da semana. A prudência junto à linha de água é fundamental, dado o potencial destrutivo do mar nestas condições.
Incerteza nos modelos
Apesar de a maioria das simulações apontar para a formação do fenómeno violento “sting-jet” na quarta-feira, existe ainda alguma divergência entre os diferentes modelos de previsão. Alguns cenários, como os apresentados pelos modelos ICON e UKMO, são menos agressivos e mantêm a situação dentro de parâmetros mais normais.
Explica ainda a Luso Meteo que a diferença reside na forma como a perturbação irá interagir com o ar frio. A evolução da situação nas próximas horas será determinante para confirmar se Portugal terá ou não de enfrentar um evento severo semelhante ao da tempestade Leslie.















