São económicos, continuam a vender bem e estão bem representados nas estradas portuguesas. Estes veículos, escolhidos sobretudo por quem procura reduzir custos com combustível, vivem ainda um momento de crescimento no mercado europeu. No entanto, o futuro deste tipo de carro poderá estar seriamente condicionado já a partir da próxima década, em resultado das metas ambientais definidas pela União Europeia e do rumo traçado para a descarbonização do setor automóvel.
Apesar de as vendas deverem crescer cerca de 10% até 2025, vários fabricantes encaram esta tecnologia apenas como uma solução de transição.
De acordo com a Executive Digest, sie especializado em economia e atualidade, o aperto progressivo das regras europeias sobre emissões de dióxido de carbono poderá tornar estes modelos comercialmente inviáveis depois de 2030, levando à redução da oferta e, em alguns casos, ao abandono total deste tipo de motorização.
Uma solução intermédia num caminho sem retorno
A transição para a mobilidade elétrica está a avançar de forma mais lenta do que o inicialmente previsto, mas é considerada inevitável no médio e longo prazo.
Neste contexto, estes veículos surgem como uma tecnologia intermédia, beneficiando de emissões de CO₂ inferiores às da gasolina, mas mantendo-se dependentes de um combustível fóssil.
Segundo explica a Executive Digest, esta limitação estrutural poderá tornar-se decisiva à medida que os limites médios de emissões das frotas se tornem mais rigorosos, especialmente a partir de 2030.
Com metas ambientais cada vez mais exigentes, os construtores terão menos margem para manter no mercado soluções que não contribuam de forma clara para a neutralidade carbónica.
Um mercado cada vez mais concentrado
Atualmente, o número de fabricantes que continuam a apostar nestes veículos é reduzido. A Dacia destaca-se claramente neste segmento, desenvolvendo internamente versões específicas para grande parte da sua gama.
Modelos como o Sandero Stepway, o Duster ou o Jogger concentram uma parte significativa das vendas europeias.
De acordo com dados citados pela mesma publicação, em 2025 terão sido vendidos cerca de 347 mil veículos deste tipo na Europa, com o Grupo Renault a deter uma quota esmagadora do mercado.
Itália, Espanha e França continuam a liderar os registos, enquanto países do Leste europeu apresentam crescimentos expressivos, impulsionados pelo preço mais acessível destes modelos.
Fora deste grupo, a oferta é limitada e concentrada em marcas de menor dimensão ou em propostas muito específicas, o que reforça a ideia de que o mercado poderá encolher de forma gradual nos próximos anos.
Ainda compensa para quem compra hoje?
No curto prazo, estes veículos continuam a ser uma opção financeiramente atrativa. O combustível é mais barato do que a gasolina, a tecnologia é simples e fiável, e os modelos bicombustível oferecem maior autonomia.
Para quem percorre muitos quilómetros por ano, sobretudo fora dos grandes centros urbanos, a poupança nos custos de utilização mantém-se relevante.
A médio e longo prazo, porém, o cenário é mais incerto. A decisão da Comissão Europeia de reduzir as emissões de CO₂ em 90% até 2035 poderá beneficiar soluções como híbridos plug-in ou veículos com extensor de autonomia, mas dificilmente colocará esta tecnologia no centro da estratégia de descarbonização.
Como sublinha a Executive Digest, com os investimentos a concentrarem-se nos elétricos, a oferta destes modelos deverá diminuir progressivamente após 2030.
Para quem já tem um destes carros, não existe qualquer proibição à circulação. Para quem pondera comprar, a questão deixa de ser apenas o preço de hoje e passa a ser o valor e a viabilidade daqui a uma década.
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