O Rio Guadiana “baixou significativamente”, mas mantém-se ainda “fora do leito”, afirmou esta segunda-feira o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, que antecipa a existência de danos com “alguma gravidade” na praia fluvial e nas estruturas de apoio à navegação.
Em declarações à agência Lusa, Paulo Paulino referiu que ainda é prematuro quantificar os prejuízos, uma vez que subsistem zonas submersas a que não é possível aceder. Ainda assim, indicou que um dos locais mais afetados foi a praia fluvial de Alcoutim, localizada numa ribeira afluente do Guadiana, que ficou inundada.
Praia fluvial e zona ribeirinha com danos significativos
“O bar da praia, os equipamentos que fazem parte da praia, portanto, os balneários, as enfermarias, as casas de banho, todas aquelas estruturas da envolvência da praia se encontram com danos, e danos de alguma gravidade em termos construtivos”, descreveu o autarca do concelho do distrito de Faro.
Segundo Paulo Paulino, registaram-se também prejuízos na zona baixa da vila de Alcoutim, onde “existia uma lavandaria e uma casa de apoio à marítimo-turística existente”, acrescentando que a subida do nível do rio afetou igualmente as localidades de Laranjeiras e Guerreiros do Rio.
Cais e infraestruturas de apoio praticamente destruídos
“Nas infraestruturas dos cais acostáveis, todos eles sofreram danos enormíssimos. Em Guerreiros do Rio e Laranjeira estão mesmo completamente destruídos”, assinalou, esclarecendo que, em Alcoutim, estas estruturas também foram afetadas, mas algumas ainda poderão ser recuperadas ou reparadas.
Também ficaram danificadas pela água casas de apoio aos pescadores e um bar em Laranjeiras, enquanto em Guerreiros do Rio o “quiosque que lá estava, também de comidas e bebidas, sofreu danos”, apontou.
Paulo Paulino disse também que, no que respeita a habitações, “há a registar apenas quatro casas que sofreram alguns danos com a entrada de água”, junto à estrada marginal que liga Alcoutim a Laranjeiras e Guerreiros do Rio, localidades situadas na margem do Guadiana, cerca de uma dezena de quilómetros a sul de Alcoutim.
“Depois, há aqui os apoios agrícolas e a parte da agricultura, mas ainda não temos nenhum registo profundo daquilo que aconteceu”, afirmou o presidente da autarquia algarvia, salientando que é “provável” a existência de prejuízos com tratores, motores de rega e utensílios utilizados na prática agrícola ao longo das margens inundadas e que habitualmente são utilizadas como espaços de cultivo.
Prejuízos por apurar e alerta para novas descargas
Questionado sobre a quantificação dos prejuízos, Paulo Paulino respondeu que o município vai ainda ter de efetuar um “levantamento exaustivo” dos danos, justificando que “ainda não está feito” porque o rio “está fora do leito normal”.
O presidente da Câmara de Alcoutim alertou que o município continua atento ao nível do rio, porque as previsões dão conta de novos episódios de precipitação ao longo desta semana e as barragens de Alqueva, Pedrógão ou Chança (Espanha) podem ter de efetuar mais descargas para o rio.
A situação de calamidade decretada pelo Governo até 15 de fevereiro permite um estado de prontidão por parte de entidades como os bombeiros, a Proteção Civil ou a Autoridade Marítima, que “foi incansável” no apoio a cerca de meia centena de embarcações marítimo-turísticas que se encontravam no rio, algumas delas fundeadas sem ocupantes dentro, enalteceu o autarca.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
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