O que colocamos no prato todos os dias nem sempre é tão inofensivo como parece. Investigadores têm vindo a analisar os efeitos de diferentes formas de confeção sobre os alimentos e alertam agora para riscos que podem surgir ao cozinhar um dos legumes mais populares entre os portugueses.
A curgete, conhecida pela sua versatilidade e leveza, é presença habitual nas cozinhas nacionais. Mas segundo especialistas em nutrição e saúde alimentar, há formas de a preparar que podem transformar os seus componentes naturais em substâncias menos desejáveis para o organismo.
Riscos químicos em temperaturas elevadas
Segundo o jornal espanhol As, especialistas explicam que a curgete contém naturalmente nitratos, compostos que, quando sujeitos a temperaturas muito elevadas, como acontece na fritura ou grelhados intensos, podem ser convertidos em nitrosaminas. Estas substâncias têm sido associadas, em estudos laboratoriais, a riscos acrescidos de alterações ao ADN.
Calor direto acelera reações indesejadas
A formação destas nitrosaminas parece ser potenciada quando a curgete é exposta diretamente a brasas ou outras fontes de calor intenso. O processo químico que transforma os nitratos acelera nestas condições, o que levanta preocupações entre os profissionais da área da saúde.
Os pimentos também são afetados
Mas o alerta não se limita à curgete. Outros legumes, como os pimentos, também estão a ser alvo de atenção. A pele fina deste fruto facilita a sua carbonização, especialmente quando grelhado ou frito, promovendo a libertação de benzopireno, um composto que também está presente no fumo do tabaco e nos gases de escape.
A fritura de pimentos em óleos vegetais muito quentes é apontada como uma das práticas que mais contribuem para a formação de benzopireno. Este composto é classificado por organizações internacionais como potencialmente cancerígeno.
Informar sem alarmar
Apesar de tudo, os especialistas não pretendem alarmar, mas sim informar. O objetivo é incentivar uma reflexão sobre as formas como cozinhamos os legumes e outros alimentos e alertar para os impactos que certos métodos podem ter na saúde a longo prazo.
De acordo com os nutricionistas envolvidos nos estudos, a chave está em adotar formas de confeção mais suaves. Cozer a vapor, cozinhar lentamente em lume brando ou assar a temperaturas moderadas são exemplos de alternativas seguras.
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Conselhos práticos dos especialistas
“Há evidências de que métodos como o vapor ou o forno, a temperaturas moderadas, ajudam a preservar os benefícios nutricionais das curgetes e dos pimentos, evitando a formação de compostos tóxicos”, explicam os especialistas citados no estudo partilhado pelo jornal espanhol.
Um campo de investigação em crescimento
As conclusões agora divulgadas fazem parte de uma linha de investigação que tem vindo a ganhar força nos últimos anos, centrando-se na relação entre os hábitos culinários e os efeitos a médio e longo prazo na saúde pública.
A importância de saber cozinhar bem
O consumo de legumes continua a ser fortemente recomendado por médicos e nutricionistas, mas é cada vez mais importante saber como prepará-los. A forma como os cozinhamos pode fazer a diferença entre um prato saudável e um potencial risco escondido.
Outros países já estão a agir
Alguns países já começaram a incluir recomendações específicas sobre modos de confeção nos seus guias alimentares oficiais. A intenção é reduzir a exposição a compostos potencialmente nocivos sem comprometer o valor nutricional dos alimentos.
Em Portugal, embora ainda não exista uma orientação formal sobre este tema, cresce o interesse por práticas culinárias mais conscientes, principalmente entre quem valoriza a prevenção e o bem-estar a longo prazo.
O equilíbrio está na forma de cozinhar
Optar por métodos de cozedura mais suaves pode ser uma forma simples e eficaz de continuar a beneficiar dos nutrientes dos vegetais, evitando riscos desnecessários à saúde.
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