Alejandro, empresário espanhol de 31 anos, diz que já faturou 12.500 euros num só dia numa loja de 25 metros quadrados dedicada a morangos com chocolate, um exemplo de “negócio pequeno, rotação alta” que está a ganhar espaço em Espanha, e que já chegou a Portugal.
A história foi publicada pelo portal espanhol Noticias Trabajo, que enquadra o caso num país onde o desemprego jovem continua elevado, com valores frequentemente acima de 25% em leituras recentes de referência europeia.
Segundo o relato, a ideia nasceu após uma experiência em Londres, onde o empresário viu filas para um posto de morangos com chocolate, e decidiu adaptar o conceito com produto espanhol e uma estratégia agressiva de redes sociais.
O que está por trás do fenómeno: produto simples, “experiência” e redes sociais
A marca associada ao caso é a La Fresería, que se apresenta como um conceito centrado em morangos “nacionais” e consumo rápido, pensado para lojas pequenas e grande rotação.
No texto, Alejandro afirma que o primeiro vídeo da marca nas redes chegou a 100 milhões de visualizações orgânicas em uma semana, um número difícil de verificar de forma independente, mas consistente com a ideia de que o crescimento foi muito impulsionado por conteúdo viral.
O El País descreveu o “efeito fila” como parte do modelo: um produto visual, fácil de partilhar, com coberturas e formatos pensados para consumo imediato, apoiado numa estratégia de marketing e expansão rápida.
Quantas lojas tem e onde entra Portugal
Sobre dimensão, os números variam consoante a data da fonte: o Noticias Trabajo fala em 39 locais em Espanha, Portugal e França, enquanto uma notícia setorial recente aponta para 42 locais em menos de dois anos.
Há também cobertura especializada a referir expansão internacional e presença em Portugal, com a marca a “cruzar fronteiras” e a preparar novas aberturas fora de Espanha.
Em Portugal, é possível provar os morangos com chocolate em Aveiro, na Rua José Estêvão 24, e em Lisboa, na Rua da Conceição 40.
Ou seja, para o leitor português, o ponto prático é este: já não é apenas uma moda “lá fora”, a expansão para Portugal faz com que o fenómeno comece a aparecer em centros urbanos e zonas de grande tráfego, onde o modelo de loja pequena funciona melhor.
O número que puxa cliques: 12.500 euros num dia numa loja de 25 m²
A frase que está a circular, “12.500 euros num dia”, é apresentada como um pico de faturação, não como média diária. Ainda assim, é um indicador de como negócios de impulso podem ter dias “explosivos” quando combinam localização, fila e viralidade.
O relato refere preços que podem ir de valores mais baixos a versões “XL”, o que ajuda a explicar a faturação quando há volume e quando o produto é comprado em grupo ou em repetição.
Mas há um aviso implícito: faturação não é lucro. Em conceitos deste tipo, contam custos de matéria-prima, chocolate/coberturas, energia, renda, equipa, comissões de plataformas e desperdício, e é aí que muitos negócios “virais” falham quando o pico baixa.
O contexto que explica o interesse: desemprego jovem e empreendedorismo “por necessidade”
O Noticias Trabajo enquadra o caso na dificuldade de muitos jovens em encontrar trabalho estável em Espanha. Dados europeus recentes apontam o desemprego jovem espanhol como um dos mais elevados da UE, com valores na casa dos 25% em leituras de 2025.
A história é usada como narrativa de “criar oportunidade” quando ela não chega, algo que, com o custo de vida a apertar, também aparece em Portugal, embora com números e mercado diferentes.
Para quem lê em Portugal, o interesse está menos no “conto motivacional” e mais na tendência: formatos pequenos, experiência instagramável, produto simples e expansão rápida, um modelo que pode aparecer em mais cidades, sobretudo onde há turismo e consumo de rua.
O que vale a pena reter (sem romantizar)
O caso de Alejandro mostra como um produto banal pode transformar-se num fenómeno quando há diferenciação de experiência, operação eficiente e marketing bem feito.
Mas também sublinha o risco de leituras fáceis: números como “12.500€ num dia” são chamativos e reais como afirmação do próprio, porém não substituem o essencial, consistência de vendas, margens, sazonalidade e custos.
Se a moda ‘pega’ em Portugal, o impacto mais visível para o consumidor será simples: mais lojas “take-away” de sobremesas rápidas e filas em pontos de grande passagem. Para quem empreende, a lição é outra: a viralidade pode abrir a porta, mas só a gestão fecha o mês.
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