O Governo deu autorização à CP para avançar com a compra de comboios de alta velocidade, numa decisão que permite à empresa ferroviária começar a preparar a operação futura deste serviço em Portugal. Em causa está a aquisição de novas automotoras capazes de reduzir de forma significativa os tempos de viagem em ligações estruturantes, como a que une Lisboa ao Porto.
A decisão consta de uma resolução do Conselho de Ministros publicada em Diário da República, que define os limites financeiros, o número de composições a adquirir e as condições em que a empresa pública pode lançar concursos internacionais para reforçar a sua frota.
Preparar a alta velocidade antes da infraestrutura
De acordo com o Correio da Manhã, o Governo considera essencial que a CP avance desde já com a compra de material circulante para evitar que a futura infraestrutura de alta velocidade fique subaproveitada numa fase inicial.
“O lançamento atempado deste projeto, que exige a compra de material circulante permitirá mitigar o risco de subaproveitamento de uma infraestrutura chave para o país”, lê-se no texto da resolução, citado pelo jornal.
Primeira fase com 12 automotoras
Segundo a mesma fonte, nesta primeira fase do Plano de Investimento em Material Circulante Ferroviário, a CP deverá lançar um concurso internacional para a aquisição de 12 automotoras de alta velocidade.
Acrescenta a publicação que este concurso inclui ainda uma opção de compra adicional de até oito automotoras, o que permitirá elevar o total desta primeira frota para 20 unidades destinadas ao serviço nacional.
Escreve o jornal que o objetivo desta operação é garantir o serviço de alta velocidade assim que a infraestrutura esteja disponível, permitindo, por exemplo, reduzir o tempo de ligação entre Lisboa e Porto de 2 horas e 48 minutos para cerca de 1 hora e 18 minutos. Refere a mesma fonte que esta redução de tempo é um dos principais argumentos do Governo para justificar o investimento antecipado no material circulante.
Oficinas, peças e investimento associado
A autorização concedida à CP não se limita à compra dos comboios, abrangendo também a aquisição de peças, ferramentas especiais e o desenvolvimento do parque de oficinas de Contumil.
Segundo a mesma fonte, o investimento total autorizado pode ascender a 584 milhões de euros, valor que inclui não só as automotoras, mas também a adaptação das infraestruturas necessárias à sua manutenção.
Segunda frota para ligações internacionais
Importa salientar que a resolução prevê ainda que, em função da evolução da infraestrutura nacional e internacional, seja lançado um segundo concurso para a aquisição de uma frota vocacionada para o transporte internacional.
Esse segundo processo poderá abranger até seis automotoras adicionais, explica o site, o que permitirá à CP dispor de um total de 26 automotoras de alta velocidade, somando os serviços nacionais e internacionais.
Um passo estratégico para a CP
Refere a publicação que esta decisão representa um passo estratégico na preparação da CP para um novo ciclo ferroviário, alinhando a aquisição de comboios com o calendário de desenvolvimento da rede de alta velocidade. Segundo o Correio da Manhã, o Governo entende que esta antecipação é fundamental para garantir que o investimento público na infraestrutura ferroviária se traduza rapidamente em ganhos efetivos para os passageiros.
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