O festival Marés Vivas vai deixar de se realizar em Vila Nova de Gaia e passará a acontecer em Matosinhos, entre os dias 17 e 19 de julho. A decisão foi anunciada pelo presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, e marca uma mudança significativa no percurso recente do evento.
A saída do festival do concelho foi comunicada através de uma nota pública nas redes sociais. De acordo com o Jornal de Notícias, o autarca enquadrou a decisão com críticas diretas à organização e com referências a compromissos assumidos durante a campanha eleitoral.
Anúncio marcado por uma frase
Segundo a mesma fonte, Luís Filipe Menezes escreveu que “em Gaia só fazem falta os que cá estão e gente de palavra”, uma afirmação que acabou por sintetizar o tom da mensagem. A frase foi apresentada no contexto da decisão de o festival deixar o município.
Na mesma publicação, o presidente da câmara sublinhou que a sua posição resulta de uma opção política clara e de uma leitura crítica da forma como o processo foi conduzido pelos promotores.
A ligação do festival ao concelho
De acordo com Luís Filipe Menezes, o Marés Vivas nasceu em Oliveira do Douro e passou depois por Canidelo, pelo Vale de São Paio e pela Madalena. O autarca recorda que o nome do festival foi criado no âmbito municipal. Esse percurso é apresentado como um elemento central da relação entre o evento e Gaia, sendo referido como prova de uma ligação contínua ao território, apesar das várias mudanças internas de localização.
O presidente da câmara acusa a organização de ter pressionado o município para alterar a localização inicialmente definida. Segundo o autarca, essa pressão incluiu a ameaça recorrente de transferir o festival para outro concelho. Luís Filipe Menezes afirmou ainda ter sugerido uma alternativa no interior de Gaia, junto à CREP, apontando melhores acessos e estacionamento, mas explica o jornal que essa solução não foi aceite pelos promotores.
“Só fazem falta os que cá estão”
“O presidente da Câmara de Gaia só tem uma palavra e nenhum empresário manda aqui”, escreveu Luís Filipe Menezes, numa passagem citada pelo Jornal de Notícias. Acrescenta a publicação que o autarca defende que o sucesso de um festival depende do cartaz e não do local.
Na mesma nota, refere ainda que um artista de grande notoriedade teria sempre público garantido, independentemente da localização, reforçando a ideia de que a mudança não se justifica por razões artísticas.
Matosinhos como novo destino
A mudança para Matosinhos surge após contactos institucionais. De acordo com o jornal Expresso, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, questionou Luís Filipe Menezes sobre a possibilidade de o concelho acolher o festival.
De salientar que o autarca de Gaia afirmou não ter qualquer oposição à solução encontrada, sublinhando que não existe conflito entre municípios e desejando que o evento siga o seu percurso fora de Gaia.
Festival em fase de transição
Do lado da organização, a comunicação foi breve. O Marés Vivas publicou apenas uma curta mensagem no Instagram, onde se lê: “Vem aí uma nova maré”.
Até ao momento, refere a mesma fonte, não foram anunciados nomes para o cartaz. Com datas e novo local definidos, o festival entra agora numa fase de transição, marcada pela mudança de cidade e pelas palavras duras que acompanharam a decisão.
















