Crocante por fora, cremosa por dentro e com um sabor capaz de transformar o banal em extraordinário: assim descreve o chef Ramón Guillén a batata frita perfeita, resultado de anos de testes e dedicação. Com mais de 258 mil seguidores no Instagram, o cozinheiro partilhou recentemente o método que considera infalível.
Para Guillén, citado pelo portal espanhol Mundo Deportivo, a batata frita não é um simples acompanhamento, mas um prato que exige respeito, técnica e rigor. A sua investigação pessoal levou-o a definir um processo simples, mas cuidadosamente estudado, capaz de dar ao tubérculo mais popular da gastronomia um estatuto de estrela.
O próprio assume a paixão: “Se há algo que gosto de fazer são batatas fritas. Mas batatas fritas boas, e estas são brutais. Não porque as faça eu, mas porque passei muito tempo a investigar como fazer a batata frita perfeita.”
O corte certo para começar
Segundo o chef, tudo começa na escolha da matéria-prima. Guillén opta por uma batata ibicenca (uma variedade local, muito apreciada pela sua pele fina, textura firme e sabor equilibrado), que pode até ser consumida sem descascar. O corte deve respeitar proporções aproximadas de dois centímetros por um de largura, garantindo uniformidade na cozedura.
Embora não seja necessário atingir uma precisão milimétrica, manter palitos semelhantes em tamanho ajuda a evitar frituras desiguais e resultados inconsistentes. O objetivo é conseguir uma textura homogénea desde a primeira cozedura.
Duas temperaturas, duas fases
O processo segue depois em duas etapas. A primeira consiste em cozinhar as batatas em óleo a 170 graus durante cerca de cinco minutos, até ficarem macias mas sem se desfazerem. “Isso significa que a primeira cozedura está pronta”, explica Guillén.
De seguida, as batatas são deixadas a repousar sobre papel absorvente, enquanto o óleo aquece até aos 210 graus. É aí que ocorre a transformação: ao mergulhar de novo no óleo, o choque térmico cria uma crosta estaladiça no exterior, mantendo o interior macio e húmido.
O toque final
A adição de sal, recomenda o chef, deve ser feita apenas no final, quando as batatas ainda estão quentes. Desta forma, o tempero adere melhor sem alterar a textura durante o processo de fritura.
O resultado é uma batata que se parte com um estalido limpo, revelando uma polpa cremosa no interior. Nas imagens partilhadas nas redes sociais, Guillén mostra como cada dentada une o crocante aveludado ao sabor intenso e natural.
Da rotina à arte culinária
Ramón Guillén trabalhou em cozinhas conceituadas antes de se tornar uma referência digital na área da gastronomia. A sua abordagem combina técnica e paixão, mas também acessibilidade, provando que cozinhar bem está ao alcance de qualquer pessoa.
Com vídeos pedagógicos e divertidos, tem ajudado milhares de seguidores a melhorarem as suas competências à mesa, demonstrando que até um prato simples pode ser elevado a outra categoria.
Um lembrete para a cozinha do dia-a-dia
De acordo com o Mundo Deportivo, e num tempo em que a rapidez domina as rotinas, Guillén sublinha que o sabor exige tempo, atenção e respeito pelo produto. O seu método de fritura é um convite a redescobrir um clássico com novos olhos.
Se alguma vez se frustrou com batatas fritas moles, oleosas ou sem sabor, a solução pode estar neste processo: cortar bem, respeitar duas fases de fritura e terminar com o toque certo de sal.
A batata frita perfeita, defende o chef, não é fruto do acaso, mas da paciência e do conhecimento aplicados a um ingrediente simples.
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