A E-Redes admitiu este domingo, 1 de fevereiro, que a reposição total da energia nas zonas afetadas pela intempérie pode prolongar-se até ao final de fevereiro, assumindo não ter uma data exata para que “toda a gente vá ter energia”, e apenas esta referência. A declaração foi feita em Leiria, onde dezenas de milhares de pessoas continuavam sem eletricidade.
De acordo com o Jornal de Leiria, o esclarecimento foi dado pelo presidente do Conselho de Administração da E-Redes, José Ferrari Careto, durante uma conferência de imprensa realizada no quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações no concelho.
Segundo o responsável, a empresa prefere manter uma previsão prudente para evitar “falsas expectativas”, numa fase em que as reparações continuam condicionadas pela extensão dos danos na rede e pela complexidade do terreno.
Leiria mantém milhares sem luz
No concelho de Leiria, dos cerca de 87 mil clientes, 49.900 permaneciam sem eletricidade às 12h00 deste domingo, de acordo com os números apresentados pela E-Redes.
No total do território afetado pela intempérie, o número de clientes ainda sem energia era de 167 mil, incluindo o universo de Leiria, num cenário que continua a exigir uma resposta operacional alargada.
José Ferrari Careto recordou que, no pico da ocorrência, “1,1 milhão” de pessoas terão sido afetadas, acrescentando que esse impacto foi reduzido para “15% a 20%” à medida que a reposição avançou.
Reparações críticas e pontos frágeis
Entre as intervenções prioritárias em Leiria está a reparação da linha de média tensão entre Azoia e Vidigal, que deverá permitir maior injeção de energia na subestação de Parceiros e reforçar o abastecimento.
A E-Redes estima que essa operação possibilite ligar mais cinco mil clientes e “fortalecer” o fornecimento à zona urbana de Leiria, que foi descrita como ainda “relativamente frágil”.
O responsável explicou que parte da dificuldade está associada ao facto de subestações como as de Andrinos e Pinheiros terem ficado inoperacionais, o mesmo acontecendo com a da Ranha, no concelho de Pombal, o que obriga a soluções técnicas mais demoradas.
Geradores para mitigar impacto nas freguesias
Para reduzir os efeitos da falta de energia, sobretudo em áreas mais rurais, estava em curso a instalação de cerca de 30 geradores nas freguesias, com chegada prevista ao terreno até ao final do dia.
A autarquia indicou que estes equipamentos seriam colocados junto a pavilhões para apoiar a população com banho, internet e algum conforto, além de poderem alimentar casas nas imediações.
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, resumiu a estratégia como uma forma de criar “pequenas velas” nas zonas ainda às escuras, enquanto decorrem as reparações estruturais na rede.
Reforço de meios e alertas de segurança
A E-Redes garantiu ter mobilizado todos os recursos disponíveis, incluindo equipas vindas de Espanha e parceiros, e referiu que parou atividade de investimento para concentrar a prioridade no restabelecimento do serviço.
Do lado da proteção civil, Luís Lopes, vereador responsável na Câmara de Leiria, apontou a presença de 670 operacionais no terreno, reforçados com três pelotões dos fuzileiros e do Exército, num esforço centrado na “estabilização do território”.
A prioridade imediata inclui também a desobstrução dos rios Lis e Lena, numa altura em que persistem avisos relacionados com cheias e riscos associados ao pós-tempestade.
Segundo o Jornal de Leiria, Luís Lopes deixou ainda alertas para os perigos nas reparações domésticas, referindo um número elevado de idas às urgências por traumas durante trabalhos de recuperação, e apelou a cuidados redobrados nas intervenções e no uso de equipamentos.
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