Um ingrediente tropical numa pizza tradicional tem gerado reações inesperadas. Em Portugal, um restaurante decidiu incluir a ‘polémica’ pizza havaiana na sua carta, mas fê-lo com uma condição invulgar. É que o preço elevado pretende travar o entusiasmo de quem aprecia ananás sobre massa italiana. A medida tem gerado curiosidade entre os clientes e está a chamar a atenção para a filosofia da casa.
Novo espaço com vista para o Atlântico
O restaurante em causa é o mais recente Retrogusto, aberto na Costa da Caparica, junto à Praia Norte, desde 14 de abril. O espaço sucede ao antigo restaurante da marca, que operava na Praça de 9 de Julho, mas foi substituído para permitir o funcionamento permanente ao longo do ano.
“Andávamos à procura de um local mais próximo da praia, onde pudéssemos ficar mesmo depois do verão”, explica Bruno Cardinale, proprietário do espaço, em declarações à NiT. A localização foi escolhida pela proximidade ao mar e pelo fluxo contínuo de residentes e turistas.
Natural da Sicília, em Itália, Bruno começou a trabalhar na área da restauração ainda em jovem, inspirado pela tradição familiar. Em 2014 decidiu viajar para a Austrália, onde conheceu Antonino Gallico, futuro sócio no projeto que viria a ser fundado em Portugal. Ao fim de três anos, problemas com o visto obrigaram-no a procurar novo destino. Lisboa surgiu como escolha natural, uma vez que o irmão já vivia na capital portuguesa há mais de uma década.
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Receitas de família como base de inovação
A herança italiana teve um peso determinante na identidade do restaurante. Bruno conta à mesma fonte que o tio, dono de uma pizzaria em Itália, foi pioneiro no uso de base de pistácio nas suas criações. “Foi a primeira a usar base de pistácio e, agora, a maioria das pizzas no nosso negócio são inspiradas nas versões do meu tio”, partilha. Esta característica tornou-se imagem de marca dos Retrogusto, diferenciando-os no panorama gastronómico nacional.
A decisão de abrir o negócio em Lisboa passou também por convencer Antonino a vir a Portugal. “Ele veio ter comigo a Portugal, mas só para visitar e ver como era. Gostou tanto que o consegui convencer a tornarmo-nos sócios”, revela Bruno. Assim nasceu o Retrogusto84, com o objetivo de introduzir uma massa siciliana crocante e fina. A proposta contrastava com o tipo de pizza que então predominava na cidade.
Expansão com diferentes estilos de massa
Mais tarde, os sócios quiseram alargar o conceito e criaram o Retrogusto Experience, nos Anjos, dedicado à pizza napolitana, com uma massa mais fofa e arejada. O projeto permite explorar outras tradições regionais italianas, mantendo a autenticidade da cozinha de origem.
Cada unidade do grupo Retrogusto tem um estilo próprio, mas todas mantêm o foco na qualidade dos ingredientes. A estratégia tem garantido aceitação junto de públicos distintos.
O desejo de acompanhar os clientes levou-os até à Margem Sul durante a pandemia. Segundo Bruno, muitos lisboetas mudaram-se para a Costa da Caparica e a marca decidiu seguir o movimento. O primeiro espaço na zona abriu em 2023 e funcionou durante dois verões. Após este período, a equipa conseguiu transferir o restaurante para um local maior, com uma localização privilegiada frente ao mar.
Ambiente descontraído e forno à vista
Com capacidade para cerca de 50 pessoas, o novo restaurante apresenta uma decoração de inspiração retro vintage. A diferença face aos outros espaços está no uso intensivo de cor, concebido para evocar o espírito da praia. Ao centro da sala está o forno, onde os pizzaiollos preparam as pizzas à vista dos clientes. Esta interação com a cozinha é um dos elementos distintivos do conceito Retrogusto.
No menu destacam-se opções clássicas, como a Margherita (12€) e a Pepperoni (14€), ao lado de criações originais, como a Abadia (17,50€). Esta última combina pesto de pistácio, tomate cherry, pancetta, burrata e mozzarella. Há também uma versão vegan da mesma pizza, igualmente popular. A diversidade de escolhas permite responder a diferentes preferências alimentares.
Preço da pizza havaiana chama a atenção
Apesar de ser contra o uso de ananás na pizza, Bruno decidiu incluí-la no menu com um preço fora do comum. “A versão com fruta custa 100€, mas neste momento até está com desconto e fica por 50€”, afirma à mesma publicação. A ideia é desencorajar o pedido, mas, ao mesmo tempo, respeitar os gostos de quem o fizer. O valor elevado reflete a visão da casa sobre a preservação da tradição italiana.
Doçaria italiana com alternativas vegan
Para sobremesa, o restaurante oferece várias versões de tiramisù, todas por sete euros O doce pode ser servido na versão original, de pistácio ou vegan, sempre apresentado numa cafeteira italiana. Nas bebidas, uma sugestão da casa para os dias quentes é o spritz mar (8€), feito com blue corazon, batido de coco e sumo de limão. A cor azul da bebida procura recriar o ambiente do oceano.
Funcionamento durante todo o ano
O restaurante pretende manter as portas abertas também no inverno, adaptando os horários à procura. Bruno admite que o foco passará a ser o período noturno, quando há maior consumo de pizza. A intenção é consolidar o espaço como uma referência gastronómica na Costa da Caparica. O grupo continua atento a novas oportunidades de crescimento, sempre fiel à identidade italiana que o originou.
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