Mesmo com a subida dos preços e a inflação a marcar presença, os portugueses não estão a deixar de planear viagens. O interesse por descobrir destinos internacionais mantém-se forte, e os dados mais recentes mostram que o turismo fora do país continua a ganhar adeptos. As férias de verão e escapadinhas de curta duração refletem esta tendência, mesmo perante custos mais elevados.
Apesar das incertezas económicas, as agências de viagens e operadores turísticos registam uma procura constante. Este fenómeno sugere que viajar nas férias se tornou uma prioridade para muitos portugueses, seja por lazer ou por busca de experiências diferentes das que o país oferece, confirmando uma mudança nos hábitos de consumo no sector do turismo.
Procura pelo estrangeiro em alta
De acordo com o Diário de Notícias, a procura por viagens ao estrangeiro aumentou cerca de 20% durante o verão, em comparação com 2024. Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), considera que “os portugueses estão a viajar mais, mesmo com a inflação a pesar nos custos”, sinalizando um mercado mais maduro e resiliente.
O Instituto Nacional de Estatística registou 710,5 mil viagens para fora do país no primeiro trimestre, um crescimento de 18,5% face ao período homólogo. Entre os destinos mais procurados destacam-se Brasil, Cabo Verde, Madeira e Açores, mas também se nota um aumento do interesse por locais mais distantes e de luxo, como Dubai, Japão e Tailândia, segundo a APAVT.
Quem viaja e porquê
O perfil dos viajantes mostra padrões claros. Famílias com maior capacidade financeira e casais sem filhos ou com filhos já independentes são os que mais procuram escapadinhas curtas, muitas vezes ajustadas ao calendário escolar. Este grupo privilegia experiências que combinam conforto e momentos de lazer, sem comprometer demasiado o orçamento.
Pedro Costa Ferreira explica que, para além das famílias, há uma procura crescente por viagens de maior valor acrescentado. Este segmento acompanha a tendência de outros sectores de consumo, onde experiências exclusivas e de luxo estão a ganhar destaque, confirmando que a capacidade económica influencia diretamente a escolha do destino e do tipo de viagem.
Preços e impactos no setor
O aumento dos custos na aviação, hotelaria e mão de obra não tem travado a procura. Alguns operadores mantêm faturações ao nível do ano passado, enquanto outros registam crescimentos de 15%. As campanhas promocionais em voos charter têm ajudado a mitigar o impacto da inflação, permitindo inclusivamente que certos pacotes se tornem mais acessíveis.
A resiliência do setor demonstra que há uma capacidade de adaptação face às oscilações de preço. Mesmo com custos mais elevados, a diversidade de ofertas permite que os turistas portugueses ajustem as suas escolhas de acordo com o orçamento planeado para as suas férias.
Destinos favoritos e turismo interno
O verão revelou preferência por destinos como as Caraíbas, seguidas de Cabo Verde, Tunísia, Egito, Marrocos, Itália, Croácia e Albânia. Estes locais continuam a liderar a escolha de viagens de longo curso, enquanto escapadinhas mais próximas mantêm procura estável, oferecendo uma variedade de experiências que se ajustam a diferentes orçamentos.
Apesar da procura internacional, o turismo interno mantém-se robusto. Representa cerca de 30% das férias realizadas em Portugal, com destaque para o Algarve, Madeira, Açores, Alentejo, Centro, Porto e Norte. Segundo Pedro Costa Ferreira, o panorama é de complementaridade entre viagens internas e externas, permitindo que ambos os mercados prosperem.
Diversidade mantém o mercado em crescimento
A ampla oferta de pacotes turísticos garante que o setor continue a crescer. Tal como refere o Diário de Notícias, é possível viajar para o estrangeiro gastando menos do que em Portugal, mas também há quem opte por experiências mais caras e exclusivas, adaptando-se às suas expectativas e condições económicas.
Para o presidente da APAVT, esta diversificação é essencial. Mantém o mercado dinâmico, assegura crescimento contínuo e permite que os portugueses encontrem soluções de viagem para as suas férias, adequadas a todos os gostos, reforçando a tendência de internacionalização do turismo nacional.
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