Pode parecer um nome distante para muitos, mas o vírus Nipah não é uma novidade no panorama da saúde pública internacional. Em 2026, a Índia enfrenta um novo surto desta doença viral grave, uma situação que volta a levantar alertas sobre o risco de evolução para uma epidemia ou até para um cenário mais amplo de pandemia, à semelhança do que aconteceu com a Covid-19.
Atualmente, as autoridades indianas estão a reforçar as medidas de contenção na região próxima de Calcutá, onde o surto já provocou uma morte confirmada e infetou outras quatro pessoas. O caso levou à ativação imediata de protocolos de emergência.
Na Índia, foi implementado o rastreio de contactos com vista à imposição de quarentenas preventivas. Em paralelo, a Tailândia decidiu apertar os controlos aeroportuários a passageiros provenientes do país vizinho, que passam agora por exames adicionais antes da entrada no território, de acordo com o portal National Geographic Portugal.
Taxa de mortalidade elevada
A preocupação com uma nova pandemia não é infundada. O vírus Nipah apresenta uma taxa de mortalidade extremamente elevada. Segundo dados do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), pode chegar aos 70%.
Como não existe qualquer vacina disponível, as autoridades de saúde optaram por divulgar informação detalhada junto da população, apelando ao cumprimento rigoroso de medidas de precaução para reduzir o risco de contágio. Conhecer o vírus e perceber como atua é visto como um passo essencial para reagir atempadamente.
O que é o vírus Nipah e qual a sua origem
Este vírus, conhecido como Nipah, é uma zoonose, ou seja, um agente infecioso que pode ser transmitido de animais para humanos. As investigações apontam os morcegos como o principal reservatório natural do vírus, estando também associados surtos ligados a suínos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) , o vírus foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia e em Singapura. Na altura, um surto de uma doença desconhecida afetou criadores de suínos, acabando por se espalhar à população humana. Esse episódio resultou numa rápida expansão do vírus e levou à morte de centenas de pessoas, marcando o início da vigilância internacional em torno do Nipah.
Desde então, os surtos conhecidos mantiveram-se circunscritos a alguns países asiáticos. A Malásia, Singapura, Índia e Bangladesh são os exemplos mais relevantes, sem que tenha havido, até hoje, uma propagação à escala global. Apesar disso, trata-se de um vírus altamente contagioso e capaz de provocar doença grave em muitos dos infetados, de acordo com a mesma fonte.
Como ocorre a transmissão
A transmissão inicial do vírus Nipah acontece através do contacto direto com animais infetados ou com as suas secreções. Estas podem incluir gotículas respiratórias ou secreções nasofaríngeas. A transmissão entre humanos ocorre de forma semelhante, sobretudo em contextos de proximidade, como cuidados familiares ou hospitalares sem proteção adequada.
Existe ainda o risco associado ao consumo de alimentos contaminados, nomeadamente produtos que tenham estado em contacto com secreções de animais infetados, de acordo com a mesma fonte.
Sintomas a que deve estar atento
A infeção pelo vírus Nipah pode manifestar-se de formas muito diferentes. Em alguns casos, não provoca sintomas, mas noutros pode evoluir rapidamente para quadros clínicos graves. Os sintomas iniciais tendem a ser semelhantes aos de uma gripe comum e incluem dores de cabeça, febre, vómitos, dor de garganta, dores musculares e dificuldades respiratórias.
Quando a doença se agrava, pode surgir encefalite, uma inflamação do cérebro potencialmente fatal. Nestas situações, o doente pode apresentar tonturas, sonolência, alterações do estado de consciência e outros sinais neurológicos.
Nos casos mais graves, a encefalite pode levar ao coma num período de 24 a 48 horas, exigindo cuidados médicos intensivos imediatos.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe qualquer vacina, nem preventiva nem curativa, contra o vírus Nipah. O tratamento disponível centra-se apenas no alívio dos sintomas e no suporte clínico ao doente, de acordo com a National Geographic Portugal.
Perante esta limitação, a prevenção assume um papel fundamental. Evitar o contacto com animais potencialmente infetados, reforçar a higiene alimentar e cumprir as orientações das autoridades de saúde são medidas consideradas essenciais para travar a propagação do vírus e uma nova pandemia.
Leia também: Pior que vinho e cerveja: farmacêutico revela a bebida alcoólica que mais ‘castiga’ o fígado















