Um voo marcado, um destino habitual e uma despedida que não chegou a acontecer como planeado. Um cidadão britânico de 70 anos viu-se impedido de regressar a Portugal depois de assistir ao funeral de um amigo. O motivo estava relacionado com o passaporte e deixou-o sem voo e sem reembolso.
David Burton, aposentado, vivia há mais de três décadas em Portimão, no Algarve. Tinha regressado temporariamente ao Reino Unido, mais concretamente à Cornualha, para prestar uma última homenagem ao amigo mais próximo. Ao tentar voltar a casa, no voo da Ryanair com partida prevista de Exeter para Faro, foi impedido de embarcar.
Um rasgo sem importância aparente
De acordo com o jornal britânico The Sun, a recusa teve como base um pequeno rasgo numa das páginas do passaporte, causado anos antes por um autocolante de bagagem. A danificação estava localizada na página de observações do documento, que, neste caso, não continha qualquer anotação oficial.
Segundo a mesma fonte, o septuagenário terá apresentado o passaporte durante o processo de check-in. A equipa da companhia aérea reteve o documento para avaliação e acabou por informar que, devido à política da Ryanair sobre documentação, o passageiro não poderia seguir viagem.
Nenhum alerta nas fronteiras anteriores
O cidadão afirmou que utilizara o mesmo passaporte em múltiplas viagens dentro da Europa sem que houvesse qualquer contestação. Conforme a mesma fonte, o tratamento recebido por parte dos funcionários da companhia aérea deixou o viajante “abalado e assustado”, sentimento agravado pela recente perda pessoal.
Escreve o mesmo jornal que, perante a impossibilidade de embarcar, foi sugerido ao passageiro que procurasse alternativas nos aeroportos de Bristol ou Gatwick. O custo da mudança implicou a compra de uma nova passagem com a companhia Jet2, além de despesas adicionais com transportes terrestres.
Sem entraves no dia seguinte
Refere a mesma fonte que, no dia seguinte, David Burton conseguiu embarcar a partir de Bristol. O check-in decorreu sem incidentes e os agentes consideraram o documento válido. Ao chegar a Faro, questionou o controlo fronteiriço local, que não identificou qualquer problema no passaporte.
Sublinha o The Sun que o idoso se mostrou surpreendido por ter sido impedido de voar num contexto que, para as autoridades fronteiriças portuguesas, não apresentava qualquer irregularidade.
Política da companhia e regras em vigor
Segundo a Ryanair, o impedimento de embarque foi o resultado de uma aplicação correta das regras. A companhia justificou a decisão com base na integridade do documento apresentado, que considerou danificado e, por isso, inválido para efeitos de viagem.
A chefe de viagens do The Sun, Lisa Minot, explicou que, após o Brexit, as regras para viajar entre o Reino Unido e a União Europeia tornaram-se mais rigorosas. Para além da validade máxima de dez anos, os passaportes devem ter, no mínimo, três meses de validade à data de regresso.
Diversas exigências conforme o destino
Acrescenta a publicação que, para além das regras europeias, alguns países impõem condições suplementares, como páginas em branco ou validade mínima de seis meses. A África do Sul, por exemplo, exige uma página limpa e meio ano de validade restante.
Explica a publicação que, mesmo passaportes que ainda se encontram dentro do prazo, mas com danos físicos, podem ser recusados conforme a avaliação das companhias aéreas. De acordo com o The Sun, até 100 mil britânicos por ano podem enfrentar entraves semelhantes por desconhecerem ou subestimarem estes critérios.
Consequências imprevistas de pequenos detalhes
A recusa de embarque levou o passageiro a um conjunto de gastos inesperados e a um sentimento de “frustração” acrescido pelo momento pessoal delicado. Apesar de ter conseguido regressar a casa, David Burton descreveu a experiência como “humilhante” e referiu-se ao tratamento recebido como sendo “de criminoso”.
Este caso sublinha a importância de verificar a integridade do passaporte e conhecer os requisitos específicos do destino antes de viajar. Mesmo alterações aparentemente inofensivas podem ser interpretadas como violação das regras de transporte aéreo.
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