A procura por um modelo de turismo mais sustentável está a gerar tensões em vários destinos europeus. Neste arquipélago, o turismo intensivo tem sido cada vez mais contestado pelos residentes, que denunciam os impactos negativos de uma atividade turística desregulada. Nas ilhas Canárias, tal como noutros destinos de eleição, desde maio que se multiplicam manifestações que reúnem milhares de pessoas em diferentes ilhas, expondo um mal-estar crescente entre a população local e os visitantes, sobretudo britânicos.
As marchas, organizadas sob o lema “As Canárias têm um limite”, têm ocorrido de forma coordenada e visam chamar a atenção para os riscos de colapso ambiental, social e económico. Entre as principais queixas estão a degradação de espaços naturais, a subida acentuada nos preços da habitação e a sobrelotação de serviços e infraestruturas, segundo aponta o jornal espanhol AS.
Pressão habitacional e ambiental agrava-se
Os organizadores dos protestos alertam que, sem mudanças estruturais, o arquipélago poderá atingir um ponto de rutura. A população residente acusa o turismo de provocar escassez de casas a preços acessíveis, ao mesmo tempo que denuncia a conversão de imóveis em alojamentos de curta duração, dirigidos a visitantes internacionais.
Plataformas como o Airbnb estão no centro das críticas, com muitos a responsabilizá-las pela especulação imobiliária. O fenómeno levou à diminuição da oferta para habitação permanente e ao aumento de casos de residentes forçados a abandonar as zonas onde sempre viveram.
Mediatismo chega ao Reino Unido
O descontentamento dos habitantes locais rapidamente ultrapassou as fronteiras espanholas. Órgãos de comunicação britânicos como o MailOnline noticiaram as manifestações e recolheram reações de turistas frequentes, muitos dos quais demonstraram surpresa e até algum desagrado com a contestação.
Dave Dott, um visitante habitual de 60 anos, afirmou: “Esta ilha vai afundar-se se os manifestantes vencerem. Sem turismo, a ilha não tem nada”. Na sua perspetiva, trata-se de “uma minoria pequena mas ruidosa” que ignora a importância do setor dos serviços para a economia local.
Casos que abalam a relação entre visitantes e residentes
Entre os britânicos que ponderam alterar os seus planos de férias está o casal Olwyn e Dave Hughes, ambos com 71 anos. Preocupados com o clima de hostilidade, admitem trocar as Canárias por outro destino europeu. “Se não nos sentirmos bem-vindos, vamos para as Grécia”, disse Dave Hughes citado pelo AS, apontando semelhanças com a situação vivida em Cornwall, também marcada pela pressão do turismo sobre o mercado imobiliário.
Preocupação também com o ambiente
Além do impacto económico, os protestos têm destacado casos concretos de destruição ambiental. Rubén Pérez, do movimento Salvar La Tejita, exigiu publicamente a suspensão de novas construções em zonas sensíveis. “Estão a destruir lugares como El Médano e o Puertito de Adeje”, declarou.
Debate sobre limites do turismo ganha força
A crescente contestação está a polarizar opiniões nas ilhas. De um lado, os que veem o turismo como um pilar insubstituível da economia regional, do outro, quem pede uma regulamentação mais rígida para proteger os recursos naturais e garantir condições de vida dignas para a população local.
Apesar de os protestos terem começado há alguns meses, o tema continua atual e com impacto crescente. A discussão sobre o turismo sustentável nas Canárias tornou-se central não só em Espanha, mas também em vários meios europeus, que acompanham com atenção a evolução da situação.
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