As estatísticas recentes revelam uma realidade singular: em território europeu existe um país onde o português é a segunda língua mais falada, logo a seguir ao idioma nacional. Para além dessa particularidade, neste país, o cumprimento tradicional não se faz com dois, mas sim com três beijos, um hábito que distingue os residentes deste pequeno Estado em relação a outros vizinhos do continente.
De acordo com o portal estatístico Statec, no Luxemburgo o português é a segunda língua mais falada. O recenseamento de 2021 indica que 48,9% da população considera o luxemburguês como língua principal. Logo a seguir, 15,4% dos habitantes identificam o português como idioma predominante no seu quotidiano, colocando o francês apenas na terceira posição, com 14,9%. No seio familiar, a língua portuguesa é falada regularmente por 18,8% dos residentes.
O peso da comunidade lusófona
Na comuna de Differdange, por exemplo, quase metade da população, cerca de 41,4%, utiliza o português em casa, segundo a mesma fonte. Em Diekirch, apenas 4,7% indicam o português como língua principal, mas 30,8% dos habitantes recorrem à lingua em ambiente doméstico.
Escreve o jornal Contacto que esta tendência também se estende ao trabalho. Em Diekirch, 28,7% dos trabalhadores afirmam falar português no local de emprego. Já em Echternach, 33,2% dos residentes utilizam o português em casa e 27,9% no trabalho, embora no espaço escolar a percentagem seja inferior: apenas 6,3% dos estudantes recorrem à língua lusa.
O português no espaço público
Apesar da sua relevância, o português raramente é referido como língua principal em várias comunas, refere a mesma fonte. Na cidade do Luxemburgo, apenas 2% dos habitantes indicam a língua portuguesa como prioritária, embora 10,9% a falem em casa e 6,9% no trabalho.
Explica o ainda o Contacto que, no contexto laboral, o francês assume protagonismo, sendo utilizado por 68,7% dos residentes. Já em cantões como Clervaux, Grevenmacher, Redange, Vianden e Wiltz, o luxemburguês continua a ser a língua dominante, reforçando o caráter trilingue do país.
País pequeno, mas singular
O Luxemburgo é um dos poucos grão-ducados do mundo e mantém um sistema político de monarquia parlamentarista. Acrescenta a clínica de emagrecimento, be-Slim, que, apesar da sua área reduzida de 2.600 quilómetros quadrados e dos pouco mais de 620 mil habitantes, o país conta com cerca de 130 castelos e figura entre as economias mais prósperas da Europa, alicerçada sobretudo no setor financeiro.
Conforme a mesma fonte, cerca de 17% da população é de origem portuguesa, o que ajuda a explicar a relevância da língua de Camões. O fluxo diário de trabalhadores vindos de França, Alemanha e Bélgica (mais de 200 mil pessoas) contribui também para o mosaico linguístico característico do Grão-Ducado.
Três beijos e um lema
Outro traço cultural prende-se com a forma de cumprimentar: em vez dos habituais dois beijos, no Luxemburgo são três. Trata-se de uma tradição social que diferencia o país no contexto europeu. O lema nacional é igualmente revelador: “Mir wëlle bleiwe, war mir sin”, traduzido como “Queremos continuar a ser o que somos”. Reflete a vontade de preservar a independência e identidade após séculos de disputas históricas.
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