Avistamentos do chamado “dragão-azul” (Glaucus atlanticus) levaram nas últimas semanas ao fecho temporário de várias zonas balneares nas praias do país vizinho, obrigando as autoridades a içar bandeiras de proibição e a emitir alertas ao público. Descubra o que está em causa, que riscos existem e se a espécie pode surgir na costa portuguesa.
De acordo com o jornal espanhol AS, nos dias 28 de julho e 12 de agosto, a presença de vários exemplares na praia de Famara e na praia da Garita (Lanzarote) motivou a bandeira vermelha e a proibição de banhos por precaução. Mais recentemente, no dia 18 de agosto, o município de La Línea de la Concepción (Cádiz) interditou o banho em Santa Bárbara após detetar seis “dragões-azuis”, reabrindo depois com bandeira amarela e avisos reforçados.
O que é o “dragão-azul”
Trata-se de um nudibrânquio pelágico, de 3–4 cm, que vive à superfície em mares temperados e tropicais. Alimenta-se de organismos urticantes como a caravela-portuguesa (Physalia physalis) e pode armazenar as suas toxinas, razão pela qual o contacto pode ser doloroso e, em pessoas sensíveis, causar reações alérgicas.

Sintomas e primeiros cuidados
Relatos oficiais e notícias indicam que o contacto pode provocar dor, rubor cutâneo, prurido, náuseas e, raramente, reações alérgicas. As recomendações habituais passam por não esfregar a zona, lavar com água do mar (nunca doce), aplicar frio local e procurar avaliação clínica se os sintomas persistirem.
Gibraltar reforça vigilância
De acordo com a mesma fonte, e face aos avistamentos no Estreito, o Governo de Gibraltar ativou monitorização adicional nas praias e pediu à população que não toque nos animais e reporte quaisquer avistamentos às autoridades ambientais.
Pode chegar a Portugal?
A espécie tem distribuição ampla no Atlântico, Pacífico e Índico e é transportada por ventos e correntes de superfície. Em Portugal, há registos oficiais nos Açores, com esclarecimentos de que os arrojamentos podem ocorrer pontualmente, e referências mediáticas a observações esporádicas no litoral continental. A probabilidade de encontro é baixa, mas aumenta após ventos fortes/temperos de mar que empurrem organismos do largo para terra.
Em caso de presença de organismos marinhos potencialmente perigosos, capitanias e nadadores-salvadores podem hastear bandeiras de aviso específicas (como a roxa/medusas), a par das bandeiras verde, amarela ou vermelha que regulam o banho. Siga sempre as indicações locais.
O que fazer se encontrar um exemplar
Não toque, mesmo morto, pode manter capacidade urticante. Alerte de imediato os nadadores-salvadores ou a capitania/local de posto marítimo e, se necessário, contacte o 112. Em caso de contacto acidental, siga as orientações acima e procure assistência médica em caso de dor intensa, mal-estar ou sinais alérgicos.
Contexto europeu
Segundo o jornal AS, a presença no Mediterrâneo ocidental tem sido descrita como rara, mas com avistamentos a partir de 2021, associados a correntes e condições oceânicas que podem trazer organismos do largo para a costa. Em agosto deste ano, a costa de Alicante registou fechos preventivos após novas deteções.
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