O fenómeno das ocupações ilegais de casas tem vindo a ganhar força em vários países europeus, com destaque para Espanha, onde milhares de propriedades estão atualmente ocupadas sem consentimento. De acordo com a Executive Digest, grupos organizados de ‘okupas’ exploram falhas na lei e recorrem a estratégias criativas, algumas descritas em verdadeiros manuais de instruções para invadir e manter posse de imóveis.
De arrombadores a falsos inquilinos
Segundo a mesma fonte, o problema já ultrapassou a imagem tradicional dos invasores que forçam portas ou janelas de imóveis vazios. Agora, há casos de inqui-okupas, pessoas que alugam legalmente uma casa, pagam o primeiro mês e deixam de pagar, recusando-se a sair. O despejo exige um processo judicial que, muitas vezes, se arrasta durante meses.
Apesar das medidas aprovadas em Espanha para acelerar os chamados despejos expressos, escreve o jornal, a realidade é que muitos invasores conhecem tão bem a legislação que conseguem prolongar a estadia sem grandes consequências imediatas.
O manual que explica tudo
A imprensa espanhola, como o diário ABC, tem revelado a existência de um “manual do invasor”, com instruções detalhadas para identificar casas vazias, entrar nas propriedades e adotar táticas que dificultam a ação da polícia. Entre os truques mais usados está o bloqueio da fechadura com cola ou soldadura a frio, e até a substituição de sistemas de segurança, como se fossem os verdadeiros proprietários.
O truque da pizza
Um exemplo curioso é o chamado “truque da pizza”, descrito pelo advogado Miguel Ángel Mejías ao diário espanhol ABC. Dias antes da ocupação, os invasores encomendam uma pizza para o endereço-alvo, recolhem-na e guardam o talão. Mais tarde, apresentam-no como prova de residência, acompanhado de um falso contrato de arrendamento, o que impede a polícia de agir de imediato por não se tratar de flagrante delito.
Como escolhem as casas
Explica a Executive Digest que os invasores utilizam vários métodos para confirmar se um imóvel está desocupado. Um deles é colar discretamente plástico ou silicone na porta e verificar, dias depois, se o selo foi quebrado. Outro passa por desligar o abastecimento de água num prédio e observar quais as unidades que não o restabelecem.
Um problema que cresce
As autoridades espanholas registam cerca de 15 mil casos de ocupação ilegal, mas associações de proprietários estimam que o número real possa ultrapassar os 80 mil. O fenómeno já se estendeu a outros países, incluindo Portugal e Reino Unido, onde até propriedades comerciais de figuras conhecidas foram ocupadas.
Como reduzir o risco
O portal Idealista sugere que os proprietários evitem sinais visíveis de desocupação, instalem câmaras ou alarmes e mantenham contacto com vizinhos para garantir vigilância informal.
Embora nenhuma medida seja infalível, a presença de sinais de ocupação reduz a probabilidade de se tornar alvo.
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