Uma mulher foi condenada por desviar cerca de 346.000 euros das contas de uma idosa de quem cuidava, num caso que expõe fragilidades na proteção de pessoas vulneráveis. De acordo com o canal de televisão britânico Sky News, a arguida terá assumido o controlo das finanças da vítima durante a pandemia, utilizando o dinheiro para fins pessoais ao longo de vários meses.
O caso ganhou contornos mais graves quando se percebeu a dimensão dos valores envolvidos e o impacto emocional causado na família da vítima, que só mais tarde se apercebeu da situação. Segundo a mesma fonte, a idosa acabou por ficar progressivamente afastada dos seus familiares, numa fase particularmente sensível marcada pela pandemia.
Isolamento abriu caminho ao controlo
Durante esse período, a mulher aproximou-se da idosa e assumiu responsabilidades no seu dia a dia, criando uma relação de confiança que lhe permitiu aceder a informações sensíveis. Escreve a estação televisiva que esse processo foi gradual, sendo apresentado como um gesto de ajuda numa altura em que os contactos sociais estavam limitados.
Com o tempo, esse acesso transformou-se em controlo direto das contas bancárias, permitindo transferências e levantamentos sem supervisão. A idosa acabou por confiar plenamente na cuidadora, desconhecendo o uso indevido dos seus recursos financeiros.
Dinheiro usado em benefício próprio
Os montantes retirados foram utilizados para despesas pessoais que nada tinham a ver com o bem-estar da vítima. Refere a mesma fonte que parte significativa do dinheiro foi aplicada em procedimentos estéticos, aquisição de bens e investimentos imobiliários.
Entre os gastos identificados estão tratamentos, como Botox, a compra de um automóvel e a aquisição de propriedades, evidenciando um padrão de utilização voltado para benefício exclusivo da arguida. Estas despesas foram realizadas ao longo do tempo, dificultando uma deteção imediata.
Fuga para Espanha após suspeitas
Após surgirem suspeitas e o caso ser denunciado, a mulher abandonou o país e instalou-se em Tenerife, onde permaneceu durante vários meses. Conforme a mesma fonte, vivia num apartamento com vista para o mar, mantendo um estilo de vida que contrastava com a origem dos fundos utilizados.
A localização acabou por ser descoberta, levando a novas diligências e à exposição pública do caso. De acordo com a Sky News, a presença da mulher gerou indignação entre residentes locais, que chegaram a manifestar-se contra a sua permanência.
Tribunal não aceita versão da arguida
Durante o processo judicial, a arguida negou as acusações, alegando que não tinha acesso direto aos meios financeiros da vítima. Segundo a mesma fonte, chegou a afirmar que seriam familiares da idosa os responsáveis pelo desaparecimento do dinheiro.
O tribunal, no entanto, não acolheu essa versão, tendo o procurador descrito a atuação como um esquema conduzido de forma deliberada e isolada. A vítima foi tratada como “uma fonte de rendimento fácil de explorar”, numa avaliação que pesou na decisão final.
Condenação e reação da comunidade
A mulher acabou condenada a seis anos de prisão pelos crimes de roubo, fraude e abuso de posição, decisão que surge após a análise detalhada dos movimentos financeiros e testemunhos recolhidos. Acrescenta a publicação que, apesar da condenação, a arguida apresentou recurso da sentença.
Entretanto, a família da vítima mantém dúvidas sobre possíveis situações anteriores semelhantes, levantando a hipótese de outros casos não identificados. Refere a mesma fonte que, no local onde residia em Espanha, chegaram a ser colocados avisos públicos a pedir “justiça por Joan”, refletindo a dimensão social que o caso acabou por assumir.
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