No Reino Unido, uma associação de voluntários está a incentivar as famílias a deixarem ovos no jardim para alimentar raposas, mas a ideia divide opiniões: há quem veja um gesto “amigo da natureza”, enquanto entidades de proteção animal pedem cautela para evitar dependência, conflitos com vizinhos e atração de pragas.
De acordo com o portal britânico Swindon Advertiser, a Fox Angels Foundation (Reino Unido) indica, no seu guia de alimentação, que ovos crus ou cozinhados podem ser colocados no exterior e sugere ainda peru/frango e peixe gordo como opções.
Ao mesmo tempo, a Scottish SPCA e a RSPCA lembram que não há necessidade de alimentar raposas na maioria dos casos e que, se alguém o fizer, deve evitar excessos, não tentar “domesticar” o animal e nunca alimentar à mão.
E em Portugal: há raposas por cá?
Sim. Em Portugal, a raposa-vermelha (Vulpes vulpes) é considerada abundante e com distribuição generalizada no território continental, podendo surgir tanto em zonas rurais como junto a áreas urbanas.
Ou seja, o tema não é “estrangeiro”: também cá há avistamentos em quintais, terrenos agrícolas e periferias de cidades, sobretudo quando há lixo acessível, restos de comida ou galinheiros mal protegidos.
A diferença é o enquadramento prático: em Portugal, não existe uma recomendação oficial generalizada para “alimentar raposas”, e a abordagem mais segura tende a ser observar à distância e reduzir fontes fáceis de comida (lixo, restos no exterior), em vez de habituar animais selvagens à presença humana.
Porque é que alimentar pode dar problemas
O principal risco não é “uma raposa comer um ovo”, mas o efeito de rotina: comida disponível no mesmo sítio pode alterar o comportamento, tornar o animal mais confiante perto de pessoas e criar conflitos na vizinhança.
Há ainda um efeito colateral comum: comida deixada no jardim pode atrair ratos, gatos, cães e outras espécies, e isso transforma um gesto bem-intencionado num problema de saúde pública e de convivência.
E existe a questão do “o que” se dá: há alimentos perigosos (por exemplo, certos ossos cozinhados, uvas/passas) e, por isso, mesmo quando há orientação para alimentar, ela vem sempre acompanhada de listas de cuidados e proibições.
Se vir raposas no seu jardim, o que fazer (sem alarmismos)
Primeiro, vale a pena desdramatizar: a raiva não circula em Portugal e o país é oficialmente indemne, segundo a DGAV (ainda que o risco de introdução exista, como em qualquer país).
Se quer evitar visitas, o mais eficaz costuma ser o básico: contentores bem fechados, nada de restos de comida no exterior, fruta caída apanhada e galinheiros protegidos, medidas alinhadas com recomendações de entidades de bem-estar animal sobre gestão de atrativos.
Se, apesar disso, decidir alimentar, faça-o com prudência: pequenas quantidades, longe de casas e sem criar “horário fixo”, porque o objetivo deve ser não gerar dependência nem habituar o animal à proximidade humana, como indica o Swindon Advertiser.
E se encontrar uma raposa ferida ou em perigo?
Nesses casos, a recomendação é não tentar capturar nem manusear. Em Portugal, pode contactar o SEPNA/GNR e a linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), disponível 24 horas, para encaminhamento da situação.
A LPN também reúne orientações e contactos úteis para quando encontra um animal selvagem ferido, incluindo entidades e brigadas locais, o que pode ajudar a agir rapidamente e com segurança.
No fim, a “moda dos ovos no jardim” pode render cliques, mas, em Portugal, a adaptação mais sensata é outra: proteger o ecossistema, evitar alimentar fauna selvagem e saber quem chamar quando há um animal em risco.
















