A administração da Messinagro – empresa algarvia de referência que comercializa uma série de produtos e serviços que abrangem a agricultura, espaços verdes, nutrição animal e higiene animal e doméstica – considera que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderá agravar a concorrência para a laranja do Algarve, ao facilitar a entrada de citrinos sul-americanos com custos de produção mais baixos e, consequentemente, preços mais competitivos.
Em resposta ao Postal do Algarve, a empresa aponta falta de verdadeira reciprocidade nas regras aplicadas às importações, sobretudo ao nível das normas fitossanitárias, ambientais e laborais, e defende que, a avançar o acordo, serão necessárias medidas concretas como apoios ao produtor, reforço dos controlos aos resíduos e à qualidade, e investimento em certificação, eficiência hídrica, inovação e novas variedades para reduzir o impacto no setor.
P – Que impacto antecipam do acordo UE–Mercosul na competitividade da laranja do Algarve?
R – No caso particular da laranja, o Brasil é o maior produtor mundial e os custos de produção são substancialmente inferiores aos portugueses. A remoção de tarifas tornarão ainda mais barata a laranja vinda da América do Sul, pressionando os preços reduzindo margens e espaço competitivo para produção local.
P – Consideram que o acordo garante reciprocidade para os citrinos importados?
R – Neste caso, a concorrência destes produtos é desleal. Na Europa o rigor das normas fitossanitárias é muito maior do que na américa do sul. Muitos dos produtos fitofarmacêuticos usados nessa zona do globo, já são proibidos há muito na Europa, devido a restrições ambientais. A mão de obra é muito mais barata e com poucos requisitos laborais, assim como os requisitos ambientais, são muito menores. Deste modo, na América do Sul consegue-se produzir muito mais barato, pois há muito menos custos de produção, com a agravante de podermos receber citrinos com resíduos de produtos fitofarmacêutico.
P – Que medidas concretas defendem?
R – O que defendemos realmente é que o acordo não deveria existir. No entanto, estando este acordo em vigor, medidas como, apoios monetários e outros, ao produtor, reforço no controlo de todos os produtos agrícolas que chegam à Europa, nomeadamente no que diz respeito aos LMR, e à qualidade. Promoções em novos mercados, certificações, investimento, não só em eficiência hídrica, mas também em técnicas produtivas e novas variedades, seriam algumas medidas mara minorar esta concorrência desleal.
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