O Governo apresentou recentemente a nova Lei dos Solos, uma medida que visa responder à crise da habitação, aumentando a oferta de terrenos para construção sem comprometer a proteção ambiental e agrícola.
Segundo o Executivo, a legislação procura equilibrar a necessidade de mais terrenos urbanizáveis com a preservação de solos essenciais para a biodiversidade e a agricultura.
Principais alterações da Lei dos Solos
De acordo com a nova legislação, destacam-se quatro grandes mudanças:
- Mais terrenos disponíveis para construção de habitação, permitindo um aumento da oferta imobiliária e, teoricamente, a redução dos preços das casas;
- Reforço da resposta à crise da habitação, promovendo a construção de imóveis a preços controlados;
- Proteção do solo agrícola e das áreas ambientais, garantindo que determinadas zonas continuam intocáveis;
- Construção controlada e dentro dos critérios legais estabelecidos, evitando expansões desreguladas.
Quem decide a reclassificação dos terrenos?
Ao contrário do que tem sido especulado, o Governo não fará reclassificações diretas de terrenos. A decisão caberá às Assembleias Municipais, seguindo regras específicas estabelecidas na lei.
Este processo visa garantir um sistema transparente e supervisionado localmente, sem intervenção direta do Executivo.
Restrições à construção
Nem todos os terrenos poderão ser utilizados para construção. A nova lei mantém uma série de proibições, incluindo:
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- Solos agrícolas de Classe A e B;
- Áreas protegidas e locais integrados na Rede Natura 2000;
- Zonas de risco, como áreas sujeitas a inundações e erosão costeira;
- Orla costeira, margens de rios e territórios ameaçados pela subida do nível do mar.
Nos locais onde a construção for permitida, será exigida a obtenção de um parecer técnico fundamentado para garantir que as edificações cumprem as normas ambientais e urbanísticas.
Impacto nos preços da habitação
O Governo defende que a medida ajudará a reduzir os preços da habitação, ao disponibilizar mais terrenos a custos mais baixos.
Para garantir que as casas construídas não sejam objeto de especulação imobiliária, foram estabelecidos limites de preços, fixando valores máximos até 20% abaixo do preço médio de mercado.
Fixação de preços máximos significa controlo estatal?
Não. A legislação não fixa preços de habitação de forma obrigatória, mas estabelece limites para impedir a especulação sobre os terrenos rústicos.
Caso o preço desses terrenos se aproxime dos atuais solos urbanos, as casas construídas nesses espaços terão de respeitar o teto definido pela lei, impossibilitando a revenda a valores especulativos.
Conclusão
A Lei dos Solos procura responder ao problema da falta de habitação acessível, aumentando a oferta de terrenos e impondo mecanismos que evitem a valorização artificial dos preços.
No entanto, a sua implementação dependerá fortemente das decisões municipais e da capacidade de fiscalização das entidades responsáveis.
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