À primeira vista, parece apenas mais um eletrodoméstico indispensável da rotina moderna. Mas a verdade é que a máquina de secar roupa está entre os aparelhos que mais energia consomem nas casas portuguesas, e o impacto deste eletrodoméstico vai muito além do que a maioria das pessoas imagina.
Durante anos, acreditou-se que o frigorífico era o “campeão” do consumo elétrico doméstico. No entanto, novos estudos mostram que este eletrodoméstico pode chegar a gastar o equivalente a 65 frigoríficos ligados em simultâneo durante as horas de maior procura de energia.
De acordo com o jornal espanhol AS, o alerta vem de investigações recentes citadas por organismos internacionais, que analisaram o comportamento energético das famílias. O resultado deixou os peritos preocupados: este equipamento, usado com frequência semanal, representa já uma fatia relevante da fatura elétrica.
Este valor de “65 frigoríficos” não é aleatório. Resulta de uma comparação de potência instantânea entre ambos os aparelhos. Uma máquina de secar tradicional consome, em média, entre 3.300 e 5.000 watts por hora de funcionamento, enquanto um frigorífico moderno utiliza apenas cerca de 70 a 100 watts.
Se dividirmos o consumo de energia deste eletrodoméstico pelo do frigorífico, obtemos uma equivalência que varia entre 50 e 70 vezes mais potência, dependendo do modelo e da duração do ciclo. É daí que surge a referência aos 65 frigoríficos.
Esta comparação não significa que uma máquina de secar gaste o mesmo que 65 frigoríficos ao longo do ano, mas sim que, durante o tempo em que está ligada, o seu impacto energético é muito superior, sobretudo nas horas de maior consumo doméstico.
Picos de consumo e impacto ambiental
De acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, as máquinas de secar são responsáveis por até 6% do consumo total de eletricidade de um lar. Quando milhões de famílias as ligam ao mesmo tempo, surgem os chamados “picos de carga”, momentos em que as companhias elétricas precisam de recorrer a fontes de energia de emergência.
Essas centrais, muitas vezes movidas a gás natural, são rápidas, mas pouco eficientes e altamente poluentes. A cada pico de consumo, aumentam as emissões de dióxido de carbono e o custo global de produção de energia.
O consumo invisível dos aparelhos desligados
O problema não termina quando se carrega no botão “off”. Tal como este eletrodoméstico, muitos equipamentos continuam a gastar energia mesmo quando estão aparentemente desligados. Este fenómeno, conhecido como “consumo em espera”, é responsável por uma parte considerável da fatura anual.
Estudos da Universidade do Norte do Texas apontam que esse consumo residual pode representar até 26% da eletricidade usada por um agregado familiar. Televisores, carregadores, routers e até sistemas de som mantêm-se ativos, somando watts atrás de watts sem que ninguém dê por isso.
O preço do conforto moderno
As comodidades do dia a dia têm um custo que vai muito além do financeiro. O conforto de ter roupa seca em poucas horas traduz-se num aumento contínuo da procura energética, com impacto direto nas emissões e na estabilidade das redes elétricas.
Os especialistas citados pelo AS sublinham que o consumo excessivo de aparelhos como a máquina de secar contribui para a necessidade de reforçar infraestruturas e, em última análise, para o aumento dos preços da eletricidade.
Há formas simples de reduzir o impacto
Apesar dos números preocupantes, há formas eficazes de usar a máquina de secar sem desperdiçar energia. Uma das mais simples é aproveitar o calor residual, secando várias cargas seguidas em vez de ligar o aparelho apenas para pequenas quantidades de roupa.
Outra medida recomendada é a substituição por máquinas de secar com bomba de calor, que consomem até menos 60% do que os modelos convencionais. Embora o investimento inicial seja superior, a poupança ao longo dos anos compensa.
Pequenos gestos, grandes diferenças
Reduzir o consumo energético não exige mudanças radicais. Desligar os aparelhos da tomada, usar programas de baixa temperatura e fazer a manutenção regular dos filtros da máquina de secar são práticas simples com resultados reais.
De acordo com o AS, especialistas lembram que cada minuto desnecessário de funcionamento tem impacto direto na fatura e no ambiente. E, multiplicado por milhões de lares, esse impacto torna-se gigantesco.
Custos que se acumulam ao longo do ano
Usar a máquina de secar quatro a cinco vezes por semana pode acrescentar mais de 130 euros por ano à fatura da eletricidade. Para muitas famílias, esse valor representa o consumo mensal de outros eletrodomésticos essenciais.
A longo prazo, a escolha de equipamentos mais eficientes e o ajuste de hábitos diários podem representar uma poupança significativa, tanto em euros como em emissões.
A mudança começa na informação. Entender quanto consome cada aparelho é o primeiro passo para equilibrar conforto e sustentabilidade. A máquina de secar, símbolo da praticidade moderna, é também um lembrete de que a energia é um recurso finito e caro.
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