A Arábia Saudita decidiu suspender a construção do Mukaab, o megaprojeto conhecido como “O Cubo”, em Riade, projetado para ser o maior arranha-céus do mundo, num sinal claro de que a ambiciosa estratégia de transformação do país está a ser revista à luz de crescentes pressões financeiras e orçamentais.
O Mukaab, peça central do empreendimento New Murabba, é mais um dos grandes projetos associados à Visão 2030 que fica em pausa, juntando-se a outros planos futuristas que têm marcado a agenda do reino nos últimos anos. A informação foi avançada pela agência internacional de notícias Reuters, que dá conta de que o fundo soberano saudita, avaliado em cerca de 925 mil milhões de dólares, está a procurar um maior controlo de custos e a reavaliar prioridades.
Um travão nos projetos mais ambiciosos
Depois de sucessivos anúncios de empreendimentos megalómanos, como o The Line e o NEOM, Riade começa agora a afastar-se de um nível de despesa considerado difícil de sustentar. Estes projetos tornaram-se símbolos da Visão 2030, o plano lançado para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.
Esta estratégia tem sido fortemente associada ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que promoveu uma transformação profunda do país, assente em inovação, turismo e grandes infraestruturas.
Pressões orçamentais em pano de fundo
Segundo a mesma fonte, este reposicionamento surge numa altura em que os preços do petróleo continuam abaixo dos níveis considerados necessários para financiar, sem ajustes, a extensa carteira de projetos anunciados. Além disso, o reino mantém compromissos relevantes, como os investimentos associados à Expo 2030 e à organização do Campeonato do Mundo de Futebol de 2034.
Estas exigências financeiras obrigam a uma gestão mais cautelosa dos recursos disponíveis, levando o Governo saudita a reavaliar o ritmo e a dimensão de várias iniciativas.
Governo admite ajustes e adiamentos
O ministro da Economia da Arábia Saudita, Faisal al-Ibrahim, admitiu recentemente à Reuters que o país teve de ajustar a sua abordagem. Sem mencionar diretamente o Mukaab, afirmou que houve necessidade de “ajustar projetos, adiá-los e redefinir o seu âmbito”. Esta declaração veio reforçar a ideia de que a Visão 2030 não está a ser abandonada, mas sim adaptada a um contexto económico mais exigente.
Outros projetos também afetados
O adiamento do Mukaab, aquele que era projetado para ser o maior arranha-céus do mundo, não foi um caso isolado. No fim de semana passado, a Arábia Saudita anunciou igualmente o adiamento por tempo indeterminado dos Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, que estavam previstos para decorrer em Trojena, uma estância de montanha integrada no projeto NEOM.
A decisão sublinha a necessidade de reavaliar investimentos considerados menos prioritários face a outros compromissos estratégicos, de acordo com a mesma fonte.
O que estava previsto para o Mukaab
O Mukaab foi apresentado como um dos projetos mais arrojados alguma vez anunciados no país. Estava planeado como um cubo metálico com 400 metros de altura, largura e profundidade, integrando uma cúpula com um ecrã alimentado por inteligência artificial.
De acordo com os dados divulgados, a estrutura teria capacidade para acomodar o equivalente a 20 edifícios do Empire State e incluir cerca de dois milhões de metros quadrados de área interior, o que a tornaria a maior estrutura construída única do mundo, de acordo com a Reuters. Por agora, o futuro do Mukaab fica em aberto, dependente de uma reavaliação financeira que reflete uma nova fase de maior contenção na execução da ambiciosa agenda saudita.
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